Frete China-Brasil volta a subir e chega a US$ 9,5 mil por contêiner
Congestionamentos, atrasos e falta de equipamentos pressionam transporte marítimo, enquanto importadores enfrentam dificuldade para encontrar espaço nos navios
O frete marítimo da China para o Brasil voltou a subir no fim de agosto, com cotações entre US$ 8.500 e US$ 9.500 por contêiner de 40 pés para embarques previstos entre 1º e 7 de setembro. Segundo informações publicadas pelo 54PSI, os valores variam conforme o armador, a disponibilidade de espaço e equipamentos e as condições de negociação, em um cenário marcado por atrasos, cancelamentos de escalas e dificuldades operacionais nos principais portos chineses.
As novas cotações superam a referência de US$ 8.300 por contêiner utilizada anteriormente pela Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP). Além da elevação dos preços, a disponibilidade de espaço e equipamentos passou a representar outra preocupação para os importadores brasileiros que dependem dos embarques com origem na China.
A alta ocorre em meio a uma combinação de problemas operacionais nos principais portos chineses, que enfrentam atrasos, cancelamentos de escalas, falta de equipamentos e dificuldades dos armadores para disponibilizar navios suficientes para retirar os contêineres acumulados nos terminais.
Segundo informações recebidas pela ABIDIP junto ao mercado de transporte internacional e reportadas pelo 54PSI, o volume acumulado nos principais portos chineses estaria em torno de 400 mil TEUs. A estimativa é baseada em informações recebidas pela entidade junto ao setor e não em dados oficiais das autoridades portuárias chinesas.
Além dos gargalos já existentes, informações recebidas pelo setor em 24 de agosto indicavam a previsão de três tufões com potencial para afetar as regiões portuárias de Shenzhen, Ningbo e Xangai, importantes pontos de origem das exportações chinesas destinadas ao Brasil.
A possibilidade de novos eventos climáticos acrescentava pressão a um sistema que já enfrentava restrições de capacidade, enquanto a combinação entre congestionamentos, atrasos e falta de equipamentos dificultava a disponibilidade de espaço para novos embarques.
HMM remaneja programação em Xangai
Os problemas operacionais também provocaram alterações nas programações dos armadores. Entre as informações recebidas pelo setor, a HMM (Hyundai Merchant Marine) teria indicado que sua próxima operação em Xangai ocorreria somente em 22 de setembro, devido a remanejamentos do serviço para atender outros portos e recuperar escalas atrasadas, conforme informações publicadas pelo 54PSI.
A mudança reforça a preocupação dos importadores com a disponibilidade de espaço nas próximas semanas, especialmente para cargas que dependem de embarques com prazos mais rígidos.
Aquisição da ZIM pela Hapag-Lloyd não terá efeito imediato
Em paralelo às dificuldades enfrentadas nas rotas marítimas, o setor acompanha a aquisição da ZIM pela Hapag-Lloyd, anunciada em fevereiro por US$ 4,2 bilhões. Se concluída, a operação resultará em uma companhia com mais de 400 navios e capacidade superior a 3 milhões de TEUs.
A aquisição, porém, não representa uma entrada imediata de capacidade adicional nas rotas operadas pela Hapag-Lloyd. A conclusão do negócio está prevista para o fim de 2026 e depende de aprovações regulatórias. Até lá, Hapag-Lloyd e ZIM continuarão operando de forma independente, mantendo a colaboração restrita aos acordos de compartilhamento de navios e espaços que já estavam em vigor.
Por isso, as informações disponíveis não permitem relacionar a aquisição à entrada de novos navios ou contêineres na rota entre Ásia e Brasil em setembro. Eventuais mudanças na capacidade decorrentes da integração das duas empresas deverão ocorrer somente após a conclusão da transação e dependerão das decisões operacionais adotadas posteriormente.
Enquanto isso, os importadores brasileiros enfrentam um cenário de fretes elevados e disponibilidade restrita de espaço. As condições nos portos chineses, os possíveis efeitos de eventos climáticos e as programações dos armadores permanecem entre os principais fatores que podem influenciar os custos e os prazos dos embarques nas próximas semanas.
Resumo redes: Congestionamentos, atrasos e falta de equipamentos pressionam transporte marítimo, enquanto importadores enfrentam dificuldade para encontrar espaço nos navios.