Governo prevê R$ 500 milhões para blindar hidrovias amazônicas contra nova crise logística

Recursos serão usados em dragagens e manutenção de trechos estratégicos para garantir navegação durante a estiagem; Medida é considerada essencial para o abastecimento do PIM

Orla de Manaus com embarcações e prédios ao fundo, sob um céu azul
Orla de Manaus (2023) | Foto: Thiago Oliver/Divulgação

A Amazônia deve receber mais uma rodada de investimentos federais para tentar reduzir os impactos da estiagem sobre o transporte pelos rios. O governo federal anunciou a previsão de aplicar mais de R$ 500 milhões até o fim deste ano em obras voltadas à manutenção da navegabilidade das hidrovias da região, especialmente em pontos considerados críticos para a logística do Amazonas.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, os recursos serão aplicados principalmente em dragagens, sinalização e manutenção de pontos considerados críticos, como a Enseada do Madeira, rota entre Manaus e Itacoatiara.

Nos últimos três anos e meio, a União destinou cerca de R$ 1,7 bilhão para infraestrutura hidroviária na Região Norte. Agora, além dos investimentos públicos, o Ministério dos Portos e Aeroportos trabalha com a possibilidade de conceder hidrovias à iniciativa privada, incluindo o rio Madeira.

A proposta é transferir para empresas serviços como dragagem, monitoramento da navegação e manutenção dos trechos. O governo estima que a concessão do Madeira possa reduzir em até 25% o custo do frete regional, ao garantir maior previsibilidade para o transporte durante todo o ano.

O avanço dos projetos, porém, enfrenta questionamentos de povos indígenas, que pedem consultas prévias sobre os impactos socioambientais das concessões.

Clima aumenta preocupação com os rios

A pressão sobre a infraestrutura hidroviária cresce diante dos eventos climáticos extremos registrados na Amazônia nos últimos anos. Segundo o LabClim, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), as maiores cheias e secas da região ocorreram nas últimas duas décadas.

Após a estiagem severa de 2023 e 2024, os modelos climáticos apontam possibilidade de chuvas acima da média nas bacias dos rios Solimões, Madeira e Amazonas entre julho e agosto. Já a bacia do rio Negro deve registrar volumes menores de precipitação.

Em Manaus, o rio Negro marcou 27,62 metros na terça-feira (28), com pequena redução em relação ao dia anterior. O rio Amazonas segue em processo de vazante dentro do comportamento esperado para o período.