IA acelera procura por semicondutores e muda estratégia da indústria global

Apple projeta iPhone dobrável de 1 TB por cerca de R$ 30 mil no Brasil, enquanto a Microsoft deixou de vender o Xbox de 2 TB; Pressão sobre componentes alcança até relógios inteligentes

Mãos manuseando placa de circuito eletrônico com instalação de pente de memória e ferramentas de precisão.
Foto: Reprodução/Internet

A expansão da inteligência artificial está aumentando a pressão sobre a indústria global de semicondutores e já começa a produzir efeitos fora dos grandes data centers. Chips, memórias e outros componentes passaram a ser mais disputados, e essa procura maior alcança produtos como videogames, computadores, celulares e até relógios inteligentes.

O movimento ocorre porque o avanço da IA exige cada vez mais capacidade de processamento, armazenamento e velocidade de memória. Com isso, fabricantes precisam atender ao mesmo tempo à demanda de grandes projetos de inteligência artificial e ao mercado tradicional de eletrônicos, o que aumenta a pressão sobre a oferta de componentes.

Esse cenário também começa a aparecer nos preços finais. Equipamentos que dependem diretamente de chips e memórias vêm enfrentando custos maiores, em um momento em que a indústria tenta ampliar a produção para acompanhar o crescimento da procura.

Um dos exemplos aparece no mercado de celulares. Nesta semana, a Apple anunciou uma nova geração de iPhones, incluindo um modelo dobrável. A expectativa é de que a linha esteja entre as mais caras já lançadas pela companhia. No Brasil, o chamado iPhone Duo com 1 TB de memória pode chegar ao mercado por cerca de R$ 30 mil.

O impacto também chega ao setor de videogames. Em agosto, a Microsoft informou que deixaria de comercializar o Xbox com 2 TB de armazenamento. A empresa não detalhou a razão da decisão, mas analistas associam a medida à tentativa de reduzir gastos em um momento de maior pressão sobre o mercado de memória.

A mudança é vista por especialistas como algo mais amplo do que um simples ciclo de alta e baixa no setor de semicondutores. A inteligência artificial passou a exigir chips mais avançados, memórias mais rápidas e sistemas de fabricação capazes de sustentar uma quantidade muito maior de processamento.

Essa necessidade tende a crescer nas próximas etapas da tecnologia. Uma delas é a chamada IA agêntica, formada por sistemas capazes de executar tarefas de maneira mais autônoma. Esse tipo de aplicação exige processamento contínuo e pode elevar ainda mais a demanda por infraestrutura computacional.

Na sequência, áreas ligadas à robótica e à chamada IA física também devem abrir novas frentes de consumo de componentes. Memórias como a DRAM, por exemplo, ganham importância à medida que sistemas mais avançados precisam acessar e processar grandes volumes de dados em alta velocidade.

A corrida pela liderança em inteligência artificial também aumenta o peso estratégico dos semicondutores para empresas e países. Chips deixaram de ser apenas componentes associados aos ciclos tradicionais de celulares, computadores e outros eletrônicos e passaram a ocupar papel central em produtividade, inovação e competitividade.

Resumo redes: A Apple projeta iPhone dobrável de 1 TB por cerca de R$ 30 mil no Brasil, enquanto a Microsoft deixou de vender o Xbox de 2 TB. Pressão sobre componentes alcança até relógios inteligentes.