IA ajuda Vibra a reduzir R$ 900 milhões em estoques e 67% dos acidentes
Operação usa mais de 230 modelos preditivos e gêmeos digitais
A Inteligência Artificial já está interferindo diretamente em quanto combustível a Vibra mantém armazenado, quantos caminhões precisa colocar nas ruas e até nas rotas utilizadas para abastecer clientes pelo país. Com a ampliação do uso da tecnologia na logística, a companhia afirma ter reduzido em R$ 900 milhões o capital empregado em estoques, diminuído em 11% o número de veículos necessários à operação e derrubado em 67% o índice de acidentes da frota.
A Vibra atende mais de 10,4 mil clientes corporativos e cerca de 7,5 mil postos distribuídos por mais de 2,3 mil municípios. Em média, uma entrega de combustíveis é realizada a cada 20 segundos.
São aproximadamente 55 mil embarques mensais, envolvendo cerca de 10 mil caminhões. Para planejar toda essa movimentação, a empresa passou a recorrer a modelos capazes de antecipar a demanda e simular diferentes cenários antes da tomada de decisões.
Atualmente, são mais de 135 modelos de gêmeos digitais e outros 96 modelos preditivos de demanda. Eles projetam o consumo esperado de acordo com região, produto e período e levam em consideração informações que vão de safras agrícolas a indicadores macroeconômicos.
As previsões chegam a orientar decisões tomadas semanas antes de o combustível chegar ao destino. Segundo a Vibra, os dados ajudam, por exemplo, no planejamento do suprimento e na contratação de navios com até 45 dias de antecedência.
R$ 900 milhões a menos parados em estoque
É justamente na armazenagem que aparece um dos maiores impactos financeiros apresentados pela companhia.
Os modelos preditivos utilizados pela Vibra trabalham com margem de erro inferior a 2% e, de acordo com a empresa, alcançam desempenho 20% superior ao sistema empregado anteriormente.
Com uma previsão mais precisa sobre quanto combustível será necessário em cada local, a companhia recalibrou os volumes mantidos em suas bases de acordo com produto e demanda. O resultado foi uma redução de R$ 900 milhões no capital empregado em estoques.
A tecnologia também acompanha o caminho do combustível depois disso. Entre as 90 bases de distribuição e os destinos finais, sistemas de IA analisam mais de 10 mil variáveis em tempo real para otimizar a movimentação e identificar, inclusive, novas possibilidades de rotas de retorno capazes de melhorar a eficiência dos fretes.
Menos caminhões e menos acidentes
Outra frente está no tamanho da frota: modelos matemáticos passaram a ajudar a calcular quantos veículos são efetivamente necessários para atender à operação. Com esse dimensionamento, a Vibra afirma ter conseguido reduzir em 11% a quantidade de veículos necessária.
A IA também embarcou nos próprios caminhões. Toda a frota de entrega conta com sistemas de inteligência artificial e câmeras para monitoramento de fadiga. Segundo a empresa, a utilização dessas tecnologias contribuiu para uma redução de 67% no índice de acidentes.
Agentes de IA são empregados no suporte à equipe de vendas, identificação de desvios operacionais, previsão da chegada de cargas e acompanhamento da saúde de ativos industriais, além de atividades comerciais.
Próximo passo: uma torre de controle com agentes de IA
A Vibra agora prepara uma nova etapa dessa estratégia: a implantação de uma Torre de Controle Agêntica Autônoma.
A plataforma deverá funcionar como uma espécie de centro de coordenação dos diferentes agentes de inteligência artificial empregados na logística, monitorando e gerenciando a atuação desses sistemas dentro da operação.
Para o vice-presidente de Operações da Vibra, Daniel Drumond, o avanço da tecnologia também muda o tipo de atividade desempenhada pelas pessoas envolvidas nos processos.
“Com a evolução para a Torre de Controle Agêntica, estamos expandindo o uso de agentes de IA altamente estratégicos e migrando o trabalho de execução manual para um modelo focado em supervisão, decisão crítica e melhoria contínua. A Vibra move o Brasil diariamente. Ao investirmos em capacitação e tecnologia proprietária de ponta, aceleramos a produtividade e a competitividade de toda a cadeia de energia do país”, destacou.