Instituto Sidia explica como relógios inteligentes ajudam corredores a evitar a desidratação

Instituto estuda tecnologia dos smartwatches que estima a perda de suor e ajuda a personalizar a hidratação durante exercícios

Pessoa correndo ao ar livre com um relógio inteligente no pulso, mostrando dados de monitoramento
Foto: Divulgação

Os relógios inteligentes deixaram de ser apenas dispositivos para contar passos ou medir batimentos cardíacos. Hoje, muitos modelos já conseguem estimar a quantidade de suor perdida durante uma atividade física e indicar ao usuário quanto de água deve ser ingerido para repor os líquidos eliminados pelo organismo.

Embora a tecnologia já esteja disponível nos principais smartwatches do mercado, ela também é alvo de estudos realizados em Manaus pelo Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, um dos centros de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que integram o ecossistema da Zona Franca.

As pesquisas são conduzidas pelo Health Data Lab (HDL), laboratório do instituto que acompanha a evolução dessas ferramentas e contribui para o aprimoramento de soluções capazes de integrar dados fisiológicos à rotina de atletas e praticantes de atividades físicas.

Foto: Divulgação/Sidia

Durante uma corrida, por exemplo, os relógios inteligentes monitoram simultaneamente dezenas de informações, como intensidade do esforço, frequência cardíaca e outras variáveis. Com esses dados, algoritmos estimam a perda de suor e, ao final do exercício, calculam a quantidade aproximada de líquidos que o usuário deve ingerir. A proposta é oferecer uma recomendação personalizada, reduzindo os riscos da desidratação e favorecendo a recuperação física.

"A tecnologia de sensores e algoritmos que estima a perda de suor já está incorporada nos principais smartwatches disponíveis no mercado. Quando integrada a aplicativos de treinamento, ela entrega ao atleta um lembrete de hidratação concreto, com boa precisão e totalmente personalizado", pontua o gerente técnico do HDL do Sidia, Marcelo Santos.

O tema ganha relevância em um momento de expansão das corridas de rua no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) mostram que o número de provas oficiais passou de 2.827 em 2024 para 5.241 em 2025, um crescimento de 85% em apenas um ano.

Para os pesquisadores, a tecnologia também contribui para aumentar a consciência corporal dos atletas. Isso porque a perda de líquidos varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como temperatura, umidade do ar, intensidade do exercício e características fisiológicas de cada organismo.

Foto: Divulgação/Sidia

Marcelo Santos alerta que desconsiderar essas variações pode comprometer o desempenho e trazer riscos à saúde.

"A tecnologia de estimativa de suor, aliada ao acompanhamento em tempo real de temperatura e umidade, permite que cada atleta ajuste sua ingestão de líquidos de forma precisa, mesmo nas condições mais desafiadoras. Ignorar esses parâmetros pode transformar um treino saudável em um risco sério à saúde".