Jabil quer produzir terminais de pagamento na Zona Franca de Manaus
Investimento de R$ 34 milhões já está no radar
A lista de itens fabricados pela Jabil no Polo Industrial de Manaus deve aumentar ainda mais. Depois de ter projeto aprovado para produção de bicicletas elétricas, em junho, a multinacional estadunidense quer ingressar, na capital amazonense, em outro mercado que faz parte da rotina de grande parte dos brasileiros: o dos terminais usados para processar pagamentos no comércio.
Nesse projeto, a Jabil informa, em pauta encaminhada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, que deve investir inicialmente um valor acima de R$ 34 milhões e gerar aproximadamente 100 postos de trabalho. A ideia é que, três anos após as linhas entrarem em operação, a empresa ultrapasse a marca de 300 mil unidades produzidas.
O portal O POLO entrou em contato com a companhia para esclarecer quais itens serão produzidos na planta de Manaus (já que os terminais englobam itens diversos), mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria.
Fato é que a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) de número 8470.50.10 (informada pela empresa à Secretaria), abrange, entre outros itens, maquininhas de pagamento (POS), terminais inteligentes de ponto de venda (Smart POS) e, em determinadas configurações, equipamentos de autoatendimento (self-checkout).
O projeto deverá passar por análise no Conselho de Administração da Suframa (CAS).
Referência global
Com a devida aprovação, a expectativa, em um futuro próximo, é que as operações na Zona Franca de Manaus tornem-se tão consolidadas quanto a divisão global Payments e Fintech da companhia, que, há mais de 20 anos, se dedica à fabricação de hardware para bancos, adquirentes, fintechs e grandes varejistas. Clientes e parceiros notáveis incluem Ingenico, NCR, SumUp e, mais recentemente, a fintech Revolut, para a qual desenvolveu o leitor de cartões Revolut Reader.
Segundo a própria Jabil, a operação produz cerca de 800 mil maquininhas por mês para clientes ao redor do mundo. Entre as plantas de grande renome, estão as de Chihuahua, no México; St. Petersburg, nos Estados Unidos; e Wuxi, na China.
Atuação na ZFM
Primeira indústria 4.0 da América Latina certificada pela Academia de Ciência e Engenharia da Alemanha (Acatech), a planta da Jabil em Manaus tem mais de 25 anos, oferecendo serviços de manufatura contratada para grandes marcas globais.
A empresa mantém duas unidades industriais na capital amazonense, onde produz televisores, conversores e receptores para TVs, câmeras digitais e quiosques eletrônicos, além de oferecer soluções em automação e manufatura avançada. Atualmente, as duas fábricas empregam mais de mil trabalhadores em dois turnos de produção.
O movimento discutido até aqui não chega exatamente como novidade, já que a diversificação virou uma das marcas da Jabil no Polo Industrial de Manaus. Na mais recente reunião do CAS, realizada em junho, a empresa já havia conseguido aprovar o projeto para fabricar bicicletas elétricas, com previsão de investimento inicial de R$ 27,5 milhões.
Manaus já se consolida como a casa de grandes fabricantes de equipamentos voltados para meios de pagamento, automação comercial e captura de dados, abastecendo bancos, varejistas e empresas de serviços. Exemplos são Transire e Gertec, que produzem, inclusive, com marca própria.
A chegada de mais um projeto fortalece um segmento que cresce junto com a digitalização do comércio. Segundo a consultoria norte-americana Grand View Research, o mercado global de pagamentos digitais foi avaliado em US$ 137 bilhões em 2025 e a projeção é alcançar US$ 682,8 bilhões até 2033, com um crescimento médio anual de 22,5%.