Klabin amplia investimentos mesmo com queda no lucro no segundo trimestre
Fabricante destinou R$ 657 milhões em investimentos entre abril e junho; No período, lucro recuou cerca de 34%
A Klabin aumentou os investimentos no segundo trimestre de 2026, mesmo em um período marcado pela queda do lucro e da receita. A fabricante de celulose, papéis, embalagens e madeira destinou R$ 657 milhões em investimentos entre abril e junho, alta de 1,23% em relação ao mesmo período do ano passado.
No acumulado do primeiro semestre, o volume investido chegou a R$ 1,5 bilhão, crescimento de 19,3%. Desse total, R$ 553 milhões foram aplicados em silvicultura, R$ 487 milhões na continuidade operacional e R$ 408 milhões na modernização da cadeia de recuperação da unidade Monte Alegre.
Enquanto reforçou os investimentos, a companhia registrou lucro líquido de R$ 386,6 milhões no segundo trimestre, uma queda de 33,9% na comparação com igual período de 2025. Segundo a Klabin, o resultado foi impactado pela redução do Ebitda ajustado, pela reavaliação contábil de ativos biológicos e pelo resultado financeiro.
A receita líquida somou R$ 5,15 bilhões, recuo de 1,34% em um ano. A empresa atribuiu o desempenho principalmente à valorização do real frente ao dólar, que compensou parcialmente os aumentos dos preços da celulose em moeda americana, das embalagens e o crescimento dos volumes vendidos de papéis e embalagens.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 1,96 bilhão, queda de 3,87%, enquanto a margem Ebitda ajustada ficou em 38,09%, redução de 0,81 ponto percentual. De acordo com a companhia, a apreciação do real e os impactos sobre o custo dos produtos vendidos pressionaram o indicador, embora parte dos efeitos tenha sido compensada pelos maiores preços da celulose, pelo avanço das vendas de embalagens e pela monetização de ativos florestais.
A dívida líquida encerrou junho em R$ 24,03 bilhões, praticamente estável em relação aos R$ 24,04 bilhões registrados no fim de março. Já a alavancagem em dólar caiu de 3,3 vezes para 3,2 vezes.
Em mensagem aos investidores, a administração destacou a estabilidade operacional, o avanço do ramp-up da MP28 e a estratégia de direcionar volumes para mercados considerados mais rentáveis. Em julho, a companhia também aprovou um programa para recomprar 31.250.000 de Units ao longo de 18 meses, como parte da gestão de sua estrutura de capital.
Operação abastece a Zona Franca de Manaus
Presente em Manaus desde 2016, após adquirir os ativos da Hevi Embalagens, a Klabin ampliou sua atuação no Polo Industrial em 2020, com a compra da antiga International Paper, hoje denominada Unidade 2.
Atualmente, a empresa opera duas fábricas na capital amazonense, emprega cerca de 430 trabalhadores diretos e produz embalagens de papelão ondulado voltadas principalmente aos setores de eletroeletrônicos e linha branca.
Segundo o gerente industrial Ricardo Carvalho, cerca de 95% da produção abastece empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. A companhia também afirma deter mais da metade do mercado local de embalagens para produtos como televisores e aparelhos de ar-condicionado, além de manter capacidade instalada para acompanhar a expansão prevista de seus clientes na região.