Marcelo Pereira é o Economista do Ano no Amazonas

Atuação em defesa da ZFM durante a elaboração da Reforma Tributária marcou a trajetória do economista; Homenagem acontece em 13 de agosto

Marcelo Pereira, Economista do Ano de 2026 no Amazonas, posa para foto
Marcelo Pereira | Foto: Acervo pessoal

A defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) durante a Reforma Tributária colocou o economista Marcelo Souza Pereira entre os principais nomes da economia amazonense nos últimos anos. Agora, esse trabalho acaba de render um dos maiores reconhecimentos da categoria: o título de Economista do Ano de 2026, concedido pelo Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima (Corecon-AM/RR). A homenagem acontece no dia 13 de agosto, durante solenidade do Dia do Economista, em local a ser divulgado.

A escolha leva em conta uma trajetória construída em diferentes frentes: além da atuação na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Pereira participou de grupos técnicos responsáveis por discutir políticas industriais, modernizar a Lei de Informática da ZFM e assessorar o Congresso Nacional durante a elaboração da Reforma Tributária.

Foi justamente nesse último capítulo que seu nome ganhou ainda mais projeção. Ao lado do ex-superintendente Thomaz Nogueira e dos economistas Afonso Lobo e Farid Mendonça Júnior, integrou a equipe técnica que trabalhou para garantir a preservação das vantagens constitucionais da Zona Franca até 2073, consideradas essenciais para a competitividade do Polo Industrial de Manaus.

Para Marcelo Pereira, foi esse trabalho que marcou definitivamente sua trajetória profissional e mostrou que a atuação técnica poderia produzir efeitos concretos para o desenvolvimento do Estado.

"Sem dúvida, o trabalho na Reforma Tributária foi o momento decisivo da minha trajetória. Ali, tive a responsabilidade — e a oportunidade — de defender a Zona Franca de Manaus em um dos debates mais importantes das últimas décadas. O risco que corríamos era muito grande. Dependendo de como o texto fosse aprovado, perderíamos toda a dinâmica social e econômica do Amazonas. Não apenas os empreendimentos estariam em risco, mas também o nosso povo e as nossas famílias. Trabalhar diretamente com o Congresso, ao lado de especialistas que respeito profundamente, e contribuir para assegurar a continuidade das vantagens da ZFM foi quando percebi que meu esforço técnico poderia gerar um impacto real para o Amazonas", disse Pereira ao portal O POLO.

Atuação na Suframa

Embora hoje atue como secretário parlamentar da Bancada Federal do Amazonas na Câmara dos Deputados, Marcelo conhece a Zona Franca por dentro.

Ingressou na Suframa em 2008 como economista e, ao longo dos anos, passou por áreas responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento regional, análise de projetos industriais, estudos econômicos e assuntos estratégicos. Também comandou a autarquia em diferentes períodos, na condição de superintendente.

Marcelo Pereira ajudou a garantir as vantagens constitucionais da Zona Franca até 2073 | Foto: Acervo pessoal

Essa experiência fez com que participasse de algumas das principais discussões econômicas envolvendo o modelo Zona Franca na última década, incluindo a Política da Indústria 4.0, o Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (CAPDA), a atualização da Lei de Informática e a reformulação dos principais regulamentos internos da instituição (Resolução de Projetos e de Concessão de Áreas, Resolução de Análise de PD&I e Resoluções das Áreas de Operação). Foi durante a gestão de Marcelo Pereira, em 2016, que se iniciou o enfrentamento do passivo analítico de PD&I, que resultou em sua quase conclusão em 2022.

Segundo o economista, toda essa vivência acabou sendo fundamental para a contribuição que deu nas discussões da Reforma Tributária. "Toda a experiência acumulada na Suframa, nos estudos econômicos, na iniciativa privada e na gestão pública convergia para algo maior", ressaltou.

Reconhecimentos

Em 2009, Marcelo recebeu o Prêmio Amazonas de Economia pela dissertação de mestrado e, oito anos depois, foi eleito Economista Destaque pelo Corecon-AM/RR. Também integrou o conselho da entidade antes de conquistar, neste ano, o principal reconhecimento concedido aos profissionais da categoria.

Formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), possui especialização em Gerência Financeira Empresarial, mestrado em Desenvolvimento Regional e doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia.

Além da atuação em Brasília, Marcelo também integra a equipe técnica responsável pela elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, coordenado pelo economista Farid Mendonça Júnior. O documento reúne propostas voltadas ao fortalecimento da indústria, inovação, desenvolvimento sustentável e crescimento econômico do Estado.

Próximos desafios

Ao olhar para o futuro, Marcelo Pereira avalia que preservar a competitividade da Zona Franca continuará sendo uma prioridade, mas afirma que o desenvolvimento do Amazonas passa também pelo fortalecimento do interior do Estado.

"A Zona Franca continua sendo o coração econômico do Estado, proporcionando ocupação econômica, integração nacional, geração de empregos e atração de investimentos. Posso afirmar que esses mecanismos estão garantidos com o texto da Reforma Tributária. E entendo que o maior desafio econômico do Amazonas hoje é conseguir avançar em duas frentes ao mesmo tempo: preservar a competitividade da Zona Franca de Manaus, atraindo novos empreendimentos, e, paralelamente, transformar o interior em um novo vetor de desenvolvimento".

Marcelo acredita que o reconhecimento recebido também reforça o compromisso de seguir contribuindo para a construção de políticas públicas voltadas ao crescimento sustentável do Estado.

"É evidente que o futuro do Amazonas não pode depender exclusivamente da área incentivada. O interior ainda enfrenta gargalos profundos, como logística insuficiente, energia instável, falta de conectividade, regularização fundiária e baixa capacidade de transformar potencial em atividade econômica. O desafio é construir um modelo capaz de proteger a Zona Franca e, ao mesmo tempo, desenvolver novas vocações produtivas no interior, com ciência, tecnologia, bioeconomia, infraestrutura e qualificação profissional. Só assim o Amazonas continuará atraindo investimentos e gerando empregos de forma sustentável pelos próximos anos", concluiu.

🖋️ Francisco Gomes - Jornalista (MTB 2238/AM)