Minerais críticos podem adicionar R$ 192 bilhões à economia brasileira; Amazonas tem reservas estratégicas
Estudo projeta impacto econômico e criação de 750 mil empregos até 2050; Reservas no Amazonas incluem estanho, tântalo, nióbio e ocorrências de terras raras
A expansão da cadeia de minerais críticos pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e criar cerca de 750 mil postos de trabalho até 2050. A projeção faz parte de um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) sobre o potencial econômico desses recursos diante da transição energética e tecnológica mundial.

A discussão também passa pelo Amazonas. O estado possui depósitos de minerais considerados estratégicos para diferentes segmentos industriais, incluindo tecnologias utilizadas em eletrônicos, baterias, motores elétricos e equipamentos de alta tecnologia.
“Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
O estudo aponta que estados com atividade mineral mais consolidada podem sentir impactos econômicos ainda maiores. No Pará, por exemplo, a expansão da cadeia poderia representar impacto equivalente a 16% do PIB estadual.
Amazonas guarda reservas estratégicas
Um dos principais pontos do mapa mineral amazonense está em Presidente Figueiredo, onde está localizada a Mina de Pitinga.
A região possui reservas de estanho, tântalo e nióbio, além de ocorrências de elementos de terras raras. Esses materiais são utilizados em diferentes cadeias tecnológicas e ganharam importância à medida que países buscam ampliar a produção de equipamentos eletrônicos, tecnologias de energia limpa e sistemas de armazenamento e reduzir a dependência de poucos fornecedores internacionais.
Outro depósito de grande dimensão está em Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, associado principalmente a ocorrências de nióbio e elementos de terras raras.
O potencial mineral, entretanto, não significa disponibilidade imediata para exploração. A região envolve restrições e elevada sensibilidade socioambiental, o que torna qualquer possibilidade de aproveitamento mineral dependente das condições legais, ambientais e territoriais aplicáveis.
E onde entra o Polo Industrial de Manaus?
Para o Amazonas, uma das discussões vai além da simples extração dos minerais: está na possibilidade de agregar valor dentro do próprio estado.
O Polo Industrial de Manaus reúne grandes cadeias consumidoras de componentes e materiais tecnológicos, principalmente nos segmentos eletroeletrônico e de Duas Rodas. Minerais críticos e terras raras são utilizados, direta ou indiretamente, na fabricação de componentes presentes em motores, equipamentos eletrônicos, ímãs permanentes, sistemas de energia e diferentes dispositivos tecnológicos.
Isso abre espaço para uma discussão sobre o desenvolvimento de etapas de beneficiamento, processamento e transformação desses minerais no país, aproximando a matéria-prima das cadeias industriais.
Por enquanto, porém, trata-se de potencial, e não de uma cadeia produtiva já integrada ao PIM. O estudo não anuncia investimentos específicos em Manaus nem indica que os minerais extraídos no Amazonas passarão a abastecer as fábricas do Polo.
Disputa mundial por minerais críticos
O interesse econômico ocorre em meio a uma corrida internacional por minerais como lítio, níquel, cobre, grafita, cobalto e elementos de terras raras, essenciais para setores que vão da indústria eletrônica às energias renováveis.
Um dos principais desafios está na concentração das etapas de processamento e refino. A China ocupa posição dominante principalmente na cadeia de terras raras, aumentando o interesse de Estados Unidos, União Europeia e outras economias em diversificar seus fornecedores.
Nesse cenário, ampliar a capacidade brasileira de extrair, processar e transformar minerais críticos internamente pode permitir que o país capture uma parcela maior do valor econômico da cadeia, em vez de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima.