Moto Morini tem R$ 250 milhões para expansão no Brasil e trabalha em fábrica própria em Manaus
Marca italiana projeta atingir R$ 300 milhões em faturamento em 2027
Imagine o nascimento de uma motocicleta, passando por três lugares totalmente diferentes. O desenho fica na Itália. As peças saem da China. E é em Manaus que tudo se encontra para virar um veículo pronto para o mercado brasileiro.
Essa é a engrenagem da Moto Morini, que funciona há pouco mais de um ano no país e, agora, quer saltar para outra escala. Há R$ 250 milhões no radar da companhia para os próximos três anos, novos modelos chegando, a possibilidade de mais lojas e um projeto de fábrica própria já sendo trabalhado pela companhia. O Polo Industrial de Manaus já está confirmado para receber a unidade.
Desde que desembarcou por aqui a empresa afirma ter vendido quase 2 mil unidades.
Para 2026, a previsão é fechar as contas com R$ 85 milhões de faturamento. Para 2027? R$ 300 milhões.
É justamente para tentar acompanhar esse salto que a estrutura brasileira começa a mudar.
Hoje, a Moto Morini tem sua produção realizada dentro da DBS, sua parceira industrial no PIM, que mantém uma linha dedicada exclusivamente às motocicletas da marca.
Manaus possui atualmente o maior polo produtor de motocicletas fora da Ásia, com mão de obra altamente qualificada ao longo das últimas décadas.
Além disso, no último ano, a cidade tem despertado o interesse de centenas de companhias, nacionais e multinacionais, devido às incentivos garantidos pela Reforma Tributária até 2073 ao modelo Zona Franca.
O projeto da Moto Morini ainda tem etapas burocráticas pela frente e detalhes que não foram fechados.
“A ideia é lançar esse ano, mas eu ainda não tenho todos os detalhes confirmados”, diz Fabricio Morini, presidente da operação brasileira da Moto Morini, em entrevista à Forbes Brasil.

Os R$ 250 milhões vão além da fábrica
O montante de R$ 250 milhões, que foi anunciado, corresponde ao plano mais amplo da Moto Morini para ganhar musculatura no Brasil durante três anos. Isso envolve estrutura comercial, expansão da rede, novos produtos e desenvolvimento da operação, além do projeto industrial.
Uma das frentes já pode ser vista: a empresa chegou a oito lojas, instaladas em Santo André, Florianópolis, Curitiba, Vitória, Salvador, Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. A próxima rodada prevê mais 12 pontos.
Mesmo com o plano de expansão, Fabrício diz que não quer transformar a abertura de concessionárias em uma corrida.
“Há quem diga que a gente já tinha que ter mais lojas. Eu não acho”, afirma. “A Moto Morini precisa colocar o pé no Brasil e entender o consumidor brasileiro. E a verdade seja dita, 12 meses e oito lojas é muita coisa”.
Uma italiana que encontrou sua escala na China
Para entender a atual Moto Morini, é preciso voltar quase 90 anos, e depois atravessar continentes.
A empresa nasceu em 1937, em Bolonha, fundada por Alfonso Morini. A primeira motocicleta da marca apareceu em 1946, após a fábrica original ter sido destruída durante a Segunda Guerra Mundial.
O controle mudou de mãos várias décadas depois. Desde 2018, a Moto Morini pertence ao grupo chinês Zhongneng.
Isso criou uma configuração pouco convencional: a empresa continua se apresentando como italiana, mantém desenvolvimento e engenharia na Itália, mas utiliza a capacidade industrial chinesa para fabricar seus produtos.
“Continuamos até hoje com escritório central na Itália, com desenvolvimento e engenharia feitos em Trivolzio, na Lombardia, e o parque fabril na China”, explica Fabrício.
O próprio executivo admite que, de início, não estava convencido dessa mistura.
“No começo, fiquei um pouco reticente com essa nova receita, mas a verdade é que ela deu certo. Eu estava errado”.
Hoje, ele vê justamente na China uma das peças que permitem à marca competir em preço.
“A China é muito importante, é o berço da produção mundial. A Moto Morini optou pela China pela qualidade, e eu acho que é uma receita de sucesso. Mas nós nos definimos como italianos”.
E não, apesar da coincidência, Fabrício Morini não é descendente de Alfonso Morini, fundador da companhia. O sobrenome acabou encontrando a marca quando ele recebeu, em 2024, a missão de tocar a chegada da fabricante ao Brasil.