Oliveira Energia coloca usina híbrida em operação em Maués e tem R$ 37 milhões em novos projetos
Companhia começa a combinar geração solar, baterias e térmicas no interior do Amazonas; Projetos aprovados para Novo Airão, Urucará e Novo Céu somam 6,55 MWp
Uma empresa historicamente ligada à geração térmica começa a redesenhar parte de suas operações no interior do Amazonas. A Oliveira Energia colocou em funcionamento, em Maués, uma usina híbrida que reúne 6 MW de geração solar, 33 MW de potência térmica e armazenamento de energia em baterias. A estimativa da companhia é que somente a parcela solar produza cerca de 8 GWh de eletricidade renovável por ano.
Maués abre caminho para uma estratégia mais ampla, pois, em vez de retirar as térmicas já existentes, a empresa pretende incorporar geração fotovoltaica e sistemas BESS (do inglês Battery Energy Storage System) às usinas para diminuir o consumo de combustível e dar mais flexibilidade à operação. O diesel continua disponível quando necessário, mas deixa de ser a única fonte responsável pelo abastecimento da localidade.
Durante as horas de maior produção solar, os painéis conseguem atender parte do consumo e alimentar as baterias. A energia armazenada pode ser utilizada depois, inclusive para responder rapidamente a oscilações entre geração e demanda, enquanto os motores térmicos permanecem como fonte firme para os momentos em que solar e armazenamento não forem suficientes.
Esse arranjo ganha importância em um Estado onde dezenas de localidades ainda funcionam fora do Sistema Interligado Nacional (SIN) e precisam produzir a própria energia, tradicionalmente com forte participação de combustíveis fósseis.

Mais três projetos somam R$ 37 milhões
Depois de Maués, Novo Airão, Urucará e Novo Céu, comunidade de Autazes, estão na próxima leva. Os três projetos da Oliveira Energia foram aprovados pelo Programa Pró-Amazônia Legal, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, e representam juntos cerca de R$ 37,3 milhões em investimentos.
Novo Airão concentra a maior parcela. O projeto prevê 2,97 MWp de geração solar e um sistema de baterias com 400 kW de potência e 860 kWh de armazenamento, ao custo estimado de R$ 17,08 milhões. Segundo o MME, a economia projetada para a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) chega a R$ 73,83 milhões.
Em Urucará, serão 1,81 MWp de solar e um BESS de 200 kW e 430 kWh, com investimento de R$ 10,2 milhões. Para Novo Céu, estão previstos 1,77 MWp e baterias de 400 kW e 860 kWh, em um projeto de aproximadamente R$ 10 milhões.
Somadas, as três iniciativas acrescentam 6,55 MWp de capacidade solar e 2,15 MWh de armazenamento às usinas térmicas existentes. O benefício econômico estimado pelo governo para a CCC alcança R$ 159,4 milhões, valor superior a quatro vezes o montante previsto para implantação dos projetos.
A economia não está apenas no combustível
A redução do uso de diesel no interior amazonense mexe também em uma conta que vai além da geração propriamente dita. O combustível precisa chegar às usinas, muitas vezes após longos deslocamentos fluviais, e ainda exige estrutura de armazenamento e abastecimento durante todo o ano.
Parte dessas despesas é coberta pela CCC, mecanismo do setor elétrico utilizado para custear a geração nos Sistemas Isolados, onde produzir energia costuma ser mais caro. Quando uma térmica consegue operar menos horas porque parte da demanda passou a ser atendida por solar e baterias, a economia potencial aparece tanto no combustível quanto na logística e na manutenção dos geradores.
É justamente essa conta que o Pró-Amazônia Legal busca reduzir. O programa apoia projetos capazes de diminuir estruturalmente os gastos da CCC, incluindo a hibridização de usinas que hoje dependem de geração fóssil.
A mudança já alcança outras operações na região. Segundo o MME, projetos selecionados pelo Programa Energias da Amazônia deverão hibridizar 29 usinas que atendem 36 localidades. Ao longo da vida útil dos empreendimentos, o governo estima uma redução de 270 milhões de litros no consumo de diesel, cerca de 800 mil toneladas a menos de emissões de CO₂ e economia de R$ 857 milhões para a CCC. As implantações estão previstas entre o fim de 2026 e 2028.
Plano da Oliveira chega a 145 MWp de solar
Os projetos financiados pelo Pró-Amazônia Legal representam apenas parte da expansão planejada pela Oliveira Energia. A companhia divulga um portfólio de 145,4 MWp em ampliações e novas usinas solares no interior do Amazonas.
A lista inclui localidades como Boca do Acre, Lábrea, Barcelos, Beruri, Tapauá, Manaquiri e Barreirinha, além de novas etapas em Maués, Novo Airão e Urucará. O volume de 145,4 MWp se refere à capacidade solar planejada e não significa que todos esses empreendimentos contarão necessariamente com sistemas de baterias.
A escala chama atenção quando colocada ao lado da operação atual da companhia. Fundada no Amazonas em 1972, a Oliveira informa possuir 348,97 MW de potência instalada como Produtor Independente de Energia, distribuídos por 42 usinas no interior do Estado.
O movimento não significa abandonar a geração térmica que sustentou boa parte dessa expansão ao longo das últimas décadas. O que começa a mudar é a forma como ela participa do sistema. Com solar e baterias dividindo parte da carga, os motores passam gradualmente de fonte quase exclusiva para uma função de complemento e segurança.
Maués é hoje a demonstração mais concreta dessa mudança. Se os demais projetos avançarem, o mesmo desenho começará a aparecer em outras localidades amazonenses, com geração renovável e armazenamento ocupando espaço dentro de sistemas que, por décadas, dependeram principalmente do diesel.

Resumo redes: Companhia começa a combinar geração solar, baterias e térmicas no interior do Amazonas. Projetos aprovados para Novo Airão, Urucará e Novo Céu somam 6,55 MWp.