Operação mira indústria de Manaus em investigação sobre rombo de R$ 500 milhões

Fruts Concentrados da Amazônia recebeu agentes nesta quinta-feira (20); Investigação apura suspeita de superfaturamento de insumos para geração de créditos de ICMS

Agentes da Fazenda Estadual, Gaeco e Polícia Civil em frente ao portão da Fruts Indústria de Concentrados da Amazônia, em Manaus
Foto: Divulgação/MP-AM

A Fruts Indústria de Concentrados da Amazônia Ltda., conhecida como Fruts Concentrados da Amazônia, foi alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (20), durante a Operação Labirinto Fiscal.

A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Em Manaus, agentes estiveram na sede da companhia, localizada na Avenida do Futuro, no Tarumã, Zona Oeste.

Ao todo, 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Manaus e em Tubarão, Santa Catarina. As ordens foram autorizadas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas.

O que está sendo investigado?

É aqui que Manaus ganha peso na investigação, pois, segundo o MPSC, uma das suspeitas envolve a compra de insumos por uma fabricante junto a outra empresa ligada ao mesmo núcleo empresarial e sediada na capital amazonense.

Os investigadores apuram se esses insumos eram vendidos por valores acima dos reais, o chamado superfaturamento.

Na prática, a suspeita é de que os preços maiores teriam sido usados para aumentar artificialmente os créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) gerados nas operações e, com isso, obter vantagens tributárias indevidas.

Informações da Secretaria de Estado da Fazenda citadas pelo Ministério Público catarinense apontam que as irregularidades investigadas podem ter causado um prejuízo superior a R$ 500 milhões.

A operação tenta agora reconstruir o caminho das transações entre as empresas, entender como os créditos tributários teriam sido gerados e identificar o destino dos recursos.

Quem é a empresa alvo em Manaus?

A diligência na capital amazonense ocorreu na Fruts Indústria de Concentrados da Amazônia Ltda., registrada sob o CNPJ nº 18.256.038/0001-95.

A companhia atua na fabricação de produtos como sucos, refrescos, xaropes, pós para refrescos e outras bebidas não alcoólicas. Dayane Titon Cardoso e Mario Junior Cardoso aparecem nos registros públicos citados como sócios-administradores.

Documentos e outros materiais recolhidos durante as buscas serão analisados e incorporados à investigação.

O cumprimento do mandado de busca e apreensão não significa, por si só, que a empresa ou seus administradores tenham cometido os crimes investigados. A operação ainda está na fase de apuração das suspeitas.

Relação

Segundo apuração da Exame, a investigação envolve a Baly Brasil, fabricante catarinense de bebidas energéticas que faturou R$ 1,8 bilhão em 2025 e terminou o ano passado na liderança do mercado brasileiro em volume vendido.

O que ocorre é que Dayane Titon Cardoso e Mario Junior Cardoso, citados anteriormente, fazem parte da gestão da Baly.

Por que “Labirinto Fiscal”?

O nome da operação faz referência justamente ao caminho que os investigadores tentam desvendar.

Segundo o MPSC, as transações investigadas envolveriam empresas ligadas ao mesmo grupo econômico, mas localizadas em diferentes estados, formando uma sequência de operações comerciais e financeiras.

É esse “labirinto” que a investigação tenta desmontar para descobrir como os créditos tributários teriam sido gerados e como o dinheiro circulou entre as companhias.

A operação apoia investigação conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça de Criciúma e reúne integrantes do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Até o momento, a Fruts não divulgou manifestação sobre a operação. O espaço permanece aberto para posicionamento da companhia e dos citados.