Robô humanoide e cão robótico da Chery chegam ao Brasil ainda este ano, diz EXAME
Enquanto os Estados Unidos restringem a entrada de robôs chineses, fabricante prepara lançamento de dois modelos no Brasil para o último trimestre
O Brasil será um dos próximos mercados a receber a aposta da Chery em robótica. A fabricante chinesa confirmou que desembarca no país, no último trimestre deste ano, com dois produtos movidos por inteligência artificial: a robô humanoide Mornine, desenvolvida para atuar nas concessionárias da marca, e o cão robótico Argos, voltado ao público em geral.
Os dois equipamentos serão comercializados nas lojas da Omoda & Jaecoo e passaram pelo processo de homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), tornando-se os primeiros robôs da categoria aprovados para operar oficialmente no mercado brasileiro. A informação foi divulgada com exclusividade pela EXAME.
Segundo a companhia, a chegada da divisão AiMOGA Robotics ao Brasil representa mais um passo da estratégia global da fabricante de ampliar sua atuação para além do setor automotivo.
"A entrada no mercado de robôs no Brasil é mais um passo importante na estratégia da Chery International de expandir seu ecossistema de tecnologias inteligentes para além da indústria automotiva. A inteligência artificial e a robótica são pilares fundamentais do ecossistema de mobilidade que estamos construindo globalmente. A chegada da AiMOGA ao Brasil reforça nosso compromisso em oferecer tecnologias de ponta que gerem valor real para os consumidores e demonstrem como a robótica baseada em inteligência artificial pode transformar a experiência das pessoas no dia a dia", informa Mr. Hu Peng, CEO do Chery International Group Brasil.
Atendimento, interação e até dança
Criada para atuar dentro das concessionárias, a Mornine mede 1,68 metro de altura, pesa cerca de 70 quilos e foi projetada para recepcionar clientes durante o atendimento. O robô conversa por voz, apresenta os veículos disponíveis para venda, responde dúvidas sobre os modelos e, quando necessário, direciona o consumidor a um consultor da loja.

Além das funções de atendimento, a humanoide caminha pelo ambiente, cumprimenta visitantes, dança e até serve um copo de suco de laranja.
De acordo com a empresa, a Mornine é o primeiro robô humanoide do mundo a conquistar dupla certificação da União Europeia para hardware e software, atendendo requisitos de segurança, cibersegurança e proteção de dados.
Já o Argos foi desenvolvido para entretenimento e interação. O cão robótico é capaz de correr, sentar, deitar, dar a pata e executar outros comandos de forma autônoma, sem depender de conexão com a internet.
Os dois robôs contam com autonomia de aproximadamente duas horas de funcionamento e possuem estações próprias para recarga.
A plataforma tecnológica utilizada pela AiMOGA reúne modelos de linguagem de grande escala (LLMs), interação multilíngue, visão computacional, percepção espacial e semântica, além de sistemas de controle de movimento de alta precisão.
Segundo a fabricante, mais de 2 mil robôs e cães robóticos já foram entregues para clientes em mais de 60 países apenas três anos após a tecnologia deixar a fase de pesquisa.
Brasil segue caminho oposto aos Estados Unidos
A chegada dos robôs chineses ao Brasil acontece justamente quando os Estados Unidos adotam uma postura mais restritiva para esse tipo de tecnologia.
No fim de julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC), órgão responsável por regular as telecomunicações no país, incluiu robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior na lista de equipamentos considerados uma ameaça à segurança nacional. A decisão impede que novos modelos obtenham autorização para importação e comercialização no mercado americano.
A medida alcança robôs terrestres com peso superior a dois quilos que utilizam sensores, conectividade e softwares de controle, exatamente a categoria em que se enquadram a Mornine e o Argos.
Embora o documento não mencione fabricantes específicas, um grupo interagências da Casa Branca apontou preocupações relacionadas ao monitoramento de cidadãos e ao possível controle remoto dos equipamentos por terceiros.
A resposta chinesa veio rapidamente. O Ministério do Comércio da China pediu a revogação da medida e afirmou que poderá adotar contramedidas.
A disputa também tem forte peso econômico. Atualmente, a China responde por cerca de 85% do mercado mundial de robôs humanoides. Em 2025, aproximadamente 15 mil unidades foram embarcadas globalmente e, segundo a consultoria Omdia, duas fabricantes chinesas responderam por mais de 5 mil robôs cada. Empresas norte-americanas, por outro lado, entregaram apenas algumas centenas de unidades.
No Brasil, o cenário regulatório é diferente. A homologação realizada pela Anatel verifica aspectos como compatibilidade eletromagnética e uso do espectro de radiofrequência, sem adotar critérios equivalentes aos utilizados pelos Estados Unidos em relação à segurança nacional.
A aposta da Chery vai além dos automóveis
Maior exportadora de veículos da China, a Chery atua há mais de duas décadas fora do país e tem sede em Wuhu, na província de Anhui.
Ao investir em robótica, a fabricante amplia seu portfólio de negócios em duas frentes. Nas concessionárias, a Mornine busca suprir a demanda por atendimento multilíngue e reduzir a dependência de profissionais em determinadas funções. Já o Argos abre uma nova linha de receitas para a empresa, desvinculada diretamente da venda de automóveis.