Robôs chegaram, mas ninguém foi embora: TCL aposta em automação e mantém empregos em fábrica de Manaus

Fabricante modernizou a produção de ar-condicionado com investimento superior a R$ 3,5 milhões e apoio da matriz chinesa

Linha de produção de ar-condicionado na fábrica da TCL em Manaus, com trabalhadores e equipamentos automatizados
Linha de produção na fábrica de ar-condicionado da TCL em Manaus | Foto: CGTN Português

Automação costuma levantar uma pergunta quase automática: "E os empregos?". Na fábrica de ar-condicionado da TCL em Manaus, a resposta da empresa é direta: os robôs chegaram, mas os trabalhadores ficaram. Depois de investir mais de R$ 3,5 milhões na modernização da linha de produção dos aparelhos, a fabricante chinesa afirma que conseguiu aumentar a eficiência da fábrica sem reduzir o quadro de funcionários. É o que informa a China Global Television Network (CGTN), rede internacional de comunicação do governo da China.

A fabricação de um ar-condicionado envolve uma diversidade de etapas, desde a montagem da estrutura metálica e dos componentes eletrônicos até a instalação do sistema de refrigeração. É nesse processo que entram peças como as válvulas, fundamentais para controlar a circulação do fluido refrigerante dentro do equipamento. Antes executada manualmente na fábrica, essa etapa agora conta com o apoio da automação.

Ao todo, sete novos equipamentos foram incorporados ao processo produtivo, segundo a multinacional. Entre eles está um robô totalmente autônomo, remotamente configurado para retirar as válvulas utilizadas na fabricação dos aparelhos. As máquinas começaram a operar em janeiro deste ano, após um projeto de implantação que ocupou boa parte de 2025.

Na prática, o robô reduz o tempo de produção, diminui a possibilidade de erros e torna o processo mais padronizado, sem dispensar a presença dos trabalhadores que acompanham o funcionamento dos equipamentos ao longo da fabricação.

Extensão

Quem visitou de perto essa transformação foram alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Amazonas (Senai-AM), que, no início deste mês, conheceram como funciona uma linha de produção cada vez mais automatizada. A visita permitiu que futuros engenheiros e profissionais da indústria acompanhassem, na prática, o funcionamento dos novos equipamentos e o impacto da tecnologia no chão de fábrica.

Robô 100% autônomo configurado para retirar as válvulas utilizadas na produção dos aparelhos de ar-condicionado. Fábrica da TCL em Manaus | Foto: CGTN Português

De acordo com o supervisor de engenharia da TCL, Fernando Takahara, o parque fabril de Manaus já trabalha com um nível tecnológico semelhante ao da matriz da empresa na China. "Se compararmos com o restante do Brasil, acredito que estamos entre os líderes em tecnologia instalada. Hoje temos tecnologias que se assemelham às da nossa fábrica-mãe na China", disse.

Para os estudantes, a experiência foi além da sala de aula. Ismael Feitosa, um dos participantes da visita, destacou que conhecer de perto o processo ajuda a compreender melhor o funcionamento dos equipamentos que depois serão instalados no mercado. "É muito importante entender como tudo acontece dentro da fábrica. Isso ajuda até na hora de orientar o cliente sobre o produto", comentou.

Mas nem tudo envolve máquinas

A filial amazonense recebeu técnicos chineses responsáveis por montar os equipamentos e treinar a equipe brasileira no que se refere aos processos de automação. Atualmente, sete profissionais da China trabalham na unidade.

A maior dificuldade, segundo a empresa, tem sido a comunicação, já que poucos profissionais em Manaus dominam o mandarim, idioma fundamental para facilitar o treinamento. O problema se torna ainda maior pelo fato de os técnicos chineses também não dominarem o inglês.

"Muitos dos técnicos chineses não falam inglês. São excelentes profissionais, mas enfrentam essa barreira linguística. Então, contar com um professor ou intérprete que domine o mandarim se torna fundamental para facilitar a comunicação e a transferência de conhecimento", contou Monique Santos, assistente executiva da companhia.

Para Monique, quem se aperfeiçoar no mandarim, hoje em dia, sobretudo no Polo Industrial de Manaus, estará saindo na frente no quesito qualificação profissional.

Realocação

Apesar da chegada dos robôs, a coordenadoria de Recursos Humanos da TCL afirma que a empresa preservou os postos de trabalho. Segundo o setor, os funcionários que antes atuavam nas operações automatizadas passaram por capacitação e foram direcionados para outras funções dentro da fábrica.

Realocação de funções e setores é estratégia da TCL para retenção de empregos. Fábrica da TCL em Manaus | Foto: CGTN Português

Esse tipo de transição costuma direcionar os trabalhadores para áreas que ainda dependem da atuação humana. Entre elas, estão inspeção e controle de qualidade, abastecimento de linhas, logística interna, manutenção, almoxarifado e atividades de apoio à produção. Além disso, os funcionários passam por programas de requalificação para operar ou monitorar os próprios equipamentos automatizados. 

A mudança acompanha uma tendência observada no Polo Industrial de Manaus, em que a automação tem reduzido tarefas repetitivas, desgastantes e de maior esforço físico, enquanto aumenta a demanda por profissionais com conhecimentos em manutenção industrial, planejamento e controle da produção (PCP), eletrônica, automação e controle de qualidade. 

A própria TCL mantém processos seletivos para funções como inspetor de qualidade, técnico de conserto, eletricista e analista de PCP, cargos que refletem esse novo perfil da indústria.