Roubos caem 34% em rios do Norte no primeiro semestre, mas ataques ainda ameaçam cargas de combustível

Trechos nos rios Madeira e Amazonas são considerados os mais perigosos para a navegação

Navio-tanque navegando em rio da Região Norte, com a floresta amazônica ao fundo
Foto: Reprodução/Internet

Os roubos a embarcações de combustível nas hidrovias da Região Norte recuaram 34% no primeiro semestre de 2026. O volume de combustível subtraído caiu de 500 mil para 330 mil litros no período, em comparação com o mesmo intervalo de anos anteriores. Os dados foram divulgados pelo Instituto Combustível Legal (ICL), que mapeia a segurança nas rotas de abastecimento fluvial.

Apesar da redução recente, o cenário de segurança nas hidrovias do Norte ainda exige atenção constante das transportadoras. A região depende diretamente do transporte fluvial para a distribuição de diesel e outros derivados de petróleo, e a volatilidade dos roubos gera impactos diretos no custo do frete e no preço final cobrado do consumidor nas cidades mais isoladas.

Histórico de violência e táticas

O recuo registrado no primeiro semestre deste ano representa uma melhora em relação ao histórico recente do setor. Segundo dados publicados pelo veículo Eixos em fevereiro de 2026, entre os anos de 2022 e 2024, foram registradas 25 tentativas de roubo nas hidrovias da região, com 17 casos bem-sucedidos. Naquele período, a perda total chegou a 8,4 milhões de litros de combustível, predominantemente óleo diesel.

Em 2024, as oito tentativas de roubo registradas foram todas frustradas. Esse resultado foi atribuído ao reforço de segurança privada implementado pelas próprias transportadoras, que passaram a incluir equipes de escolta armada embarcada nas operações. No entanto, o cenário voltou a piorar em 2025, quando cinco ataques foram bem-sucedidos e resultaram no desvio de aproximadamente 1,2 milhão de litros de combustível.

O confronto mais recente com desfecho violento ocorreu em 17 de janeiro de 2026. Na ocasião, um suspeito de pirataria morreu após uma troca de tiros com seguranças particulares durante uma abordagem frustrada a um comboio.

De acordo com os registros do setor, os grupos criminosos operam de duas formas principais. Na primeira tática, criminosos fortemente armados rendem a tripulação e realizam o bombeamento do combustível para outra embarcação. Há relatos de tripulantes que foram espancados e jogados na água durante as ações. Na segunda modalidade, os assaltantes simulam ser autoridades policiais ou da Marinha, utilizando sirenes e giroflex para forçar a parada dos comboios antes de anunciar o assalto.

Rotas críticas e o fator da seca

Os trechos considerados mais perigosos para a navegação estão concentrados no Rio Madeira e no Rio Amazonas, especialmente no trecho entre o município de Itacoatiara, no Amazonas, e a divisa com o estado do Pará. Outro ponto de alta vulnerabilidade é o Rio Solimões, onde há forte atuação de traficantes de drogas.

A avaliação é de Galdino Alencar, presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma). Segundo Alencar, a presença de facções de tráfico de drogas nas mesmas rotas de transporte de carga eleva o nível de perigo para os trabalhadores fluviais, que continuam sendo o elo mais frágil de toda a cadeia logística.

O custo para manter a segurança das cargas varia conforme a época do ano. Durante o período de seca na Amazônia, o percurso dos rios se torna mais longo e as embarcações precisam reduzir a velocidade, ficando ainda mais expostas a ataques. Essa vulnerabilidade sazonal eleva a necessidade de proteção e encarece as despesas com escolta armada.

Padronização e custos ao consumidor

Para tentar padronizar as respostas das empresas de navegação contra os ataques, o Instituto Combustível Legal desenvolveu um manual de boas práticas voltado especificamente para a proteção de comboios em operações aquáticas na Região Norte. A iniciativa busca unificar procedimentos de defesa e comunicação durante as viagens.

Por outro lado, o custo financeiro para manter equipes armadas a bordo recai diretamente sobre as transportadoras de carga. Como a Região Norte necessita dos rios para abastecer suas usinas térmicas e postos de combustíveis, o aumento nos custos logísticos de segurança acaba sendo repassado ao consumidor final, pesando no bolso de quem vive em municípios distantes dos grandes centros de distribuição.

*Com informações da FUP News