Samsung, LG, Whirlpool, Electrolux e Motorola estão entre as maiores credoras da Casas Bahia; Dívida com 5 fabricantes chega a R$ 3,5 bilhões
Varejista entrou em recuperação judicial com dívida total de R$ 17,3 bilhões
A crise da Casas Bahia chegou diretamente a algumas das maiores fabricantes de eletrônicos e eletrodomésticos do país. Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG Electronics e Motorola Mobility têm, juntas, R$ 3,52 bilhões a receber da varejista.
As cinco aparecem entre os principais credores da companhia, que entrou em recuperação judicial com uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.
Só a Samsung tem R$ 937,6 milhões a receber, o maior valor entre as cinco fabricantes. Depois aparecem Electrolux, com R$ 700,1 milhões; Whirlpool, dona da Brastemp, com R$ 635,9 milhões; LG, com R$ 623,7 milhões; e Motorola, com R$ 619 milhões.
Somadas, elas representam aproximadamente 25% dos R$ 14,8 bilhões concentrados nos 50 maiores credores da Casas Bahia.

Indústria aparece em peso na lista
E não são apenas essas cinco. A relação de empresas que forneceram produtos para a Casas Bahia e agora têm dinheiro a receber é extensa.
A MK BR, dona das marcas Mondial e Aiwa, aparece com R$ 494,5 milhões em créditos. Outra empresa do mesmo grupo, a MK NE, tem R$ 204,4 milhões. Juntas, chegam a R$ 698,9 milhões.
A TCL Semp aparece por meio de três CNPJs que, somados, têm R$ 633,5 milhões a receber. Já os créditos da Britânia chegam a R$ 354,8 milhões.
Multilaser, Midea, Philco, Apple, Lenovo, Hisense e Panasonic também aparecem entre os 50 maiores credores.
Considerando os fornecedores presentes nesse grupo, os créditos chegam a aproximadamente R$ 7,6 bilhões, mais da metade dos R$ 14,8 bilhões devidos aos 50 maiores credores.
O que acontece com esse dinheiro?
Os créditos de Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG e Motorola são classificados como quirografários. Em termos simples, são dívidas que não possuem uma garantia específica vinculada ao pagamento.
Com a recuperação judicial, os valores ficam sujeitos às condições que serão estabelecidas durante a reestruturação da Casas Bahia.
A situação dos fornecedores também ajuda a explicar como a crise começou a atingir as prateleiras da varejista.
Antes de recorrer à Justiça, a Casas Bahia passou a pagar seus fornecedores em prazos maiores. Ao mesmo tempo, empresas e seguradoras responsáveis por dar cobertura às vendas da indústria começaram a reduzir o crédito disponível para a companhia.
Com menos espaço para comprar mercadorias a prazo, a reposição dos produtos ficou mais difícil.
Estoque encolheu R$ 1,2 bilhão
Entre março e junho, o estoque da Casas Bahia caiu de R$ 5,4 bilhões para R$ 4,2 bilhões, uma redução de R$ 1,2 bilhão em três meses.
A quantidade disponível, medida em dias de estoque, passou de 95 para 75 dias. A própria varejista reconheceu que começou a enfrentar falta de produtos em determinadas categorias, lojas e canais.
No segundo trimestre, as vendas das lojas físicas sentiram o efeito: a receita recuou 3,2%.
O problema apareceu justamente depois de a Casas Bahia conseguir reduzir boa parte de sua dívida financeira por meio de uma reestruturação anterior, que incluiu a conversão de dívidas com Bradesco e Banco do Brasil em ações.
A pressão, então, passou para outra parte da operação: o dinheiro necessário para continuar comprando produtos e abastecendo as lojas.
A empresa chegou a buscar novos recursos com investidores no Brasil, Estados Unidos e Europa, mas uma captação internacional planejada não avançou depois da desistência do investidor que lideraria a operação. Outras tentativas de obter liquidez também não saíram nas condições esperadas.
Agora, além de renegociar uma dívida bilionária, a Casas Bahia terá de encontrar uma maneira de recuperar o crédito necessário para manter mercadorias entrando nas lojas.