Seca acende alerta no Norte, e ANP mobiliza setor para antecipar estoques e evitar desabastecimento
Agência cobra planos de contingência de refinarias e distribuidoras diante dos riscos de perda de navegabilidade dos rios; Avanço do El Niño também preocupa o governo
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou uma mobilização para antecipar a formação de estoques de combustíveis na Região Norte e reduzir os riscos de problemas no abastecimento das usinas termelétricas dos sistemas isolados durante o período de seca.
A movimentação começou em julho e envolve agentes do mercado de combustíveis da região. A estratégia ganhou espaço também na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na quarta-feira (5), diante das perspectivas de intensificação do El Niño no segundo semestre.
Segundo fontes do governo ouvidas pela Agência Eixos, a ANP chamou atenção para gargalos logísticos que podem afetar o transporte de combustíveis no Norte durante a estiagem. Entre eles estão a redução da navegabilidade dos rios e até episódios de pirataria nas rotas fluviais.
Como medida preventiva, a agência solicitou aos agentes de refino e distribuição de derivados da região a apresentação de planos de contingência. Paralelamente, o órgão regulador coordena a formação antecipada de estoques de combustíveis, entre outras ações voltadas à segurança do abastecimento.
Rios são peça-chave da operação
A preocupação está diretamente ligada às características logísticas da Região Norte. Com grande parte do transporte realizada pelos rios, períodos de seca mais intensa podem dificultar a circulação das embarcações responsáveis pelo deslocamento de combustíveis.
O abastecimento das termelétricas merece atenção especial porque essas unidades atendem sistemas isolados, localidades que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e dependem de geração local de energia.
O acompanhamento não começou agora. Desde 2023, a ANP monitora e coordena esforços para enfrentar os riscos provocados por secas severas na região.
Para 2026, porém, o cenário hidrológico é menos crítico do que o registrado há dois anos. A vazão do rio Madeira permanece acima das mínimas históricas e a expectativa é de que a seca deste ano não alcance a severidade observada em 2024, período em que, apesar das dificuldades, não houve desabastecimento.
El Niño entra no radar
Durante a reunião do CMSE, foi destacada uma probabilidade de 70% de ocorrência do fenômeno El Niño com intensidade ainda maior no segundo semestre, cenário que reforça a necessidade de adoção antecipada de medidas de segurança.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que uma das principais providências adotadas é a redução das defluências, com o objetivo de preservar as cabeceiras dos reservatórios.
Com estoques sendo preparados antes do período mais crítico e planos de contingência cobrados das empresas, a estratégia busca evitar que as dificuldades de navegação nos rios se transformem em problemas no fornecimento de combustível e, consequentemente, na geração de energia nos sistemas isolados da Região Norte.