Seca coloca geração de energia em alerta no Amazonas; Empresas querem estocar combustível antes da vazante

Powertech, Aggreko e Oliveira Energia pediram à Aneel a liberação antecipada de recursos para abastecer termelétricas de áreas isoladas

Silhueta de torres de transmissão de energia elétrica em campo aberto, com céu nublado ao fundo
Foto: Reprodução/Internet

O combustível usado para manter termelétricas funcionando no interior do Amazonas pode começar a ser estocado antes de a vazante dos rios entrar em seu período mais crítico. Powertech Engenharia, Aggreko Energia e Oliveira Energia recorreram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para antecipar recursos destinados à compra e ao armazenamento desses insumos diante do risco de uma seca extrema em 2026. As informações são do Valor Econômico. 

As três empresas atendem áreas que permanecem fora do Sistema Interligado Nacional (SIN) e, por isso, dependem de sistemas locais para produzir eletricidade. Nesses locais, boa parte da geração é feita por termelétricas abastecidas com combustíveis que precisam chegar pelo sistema de transporte regional.

É justamente esse caminho que preocupa com a possibilidade de um super El Niño. Quanto mais os rios baixam, maiores podem ser as dificuldades para transportar diesel e outros insumos até municípios e comunidades mais distantes. A estratégia das empresas é comprar e levar o combustível antecipadamente para essas localidades, formando estoques antes que as condições de navegação piorem.

Os recursos deverão sair da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo que subsidia a geração de eletricidade nos sistemas isolados da Amazônia e é bancado por encargos cobrados dos consumidores de energia de todo o país.

Aneel analisa antecipação

Os pedidos chegaram à Aneel e foram reunidos em um processo distribuído na quarta-feira (19) ao diretor Willamy Moreira Frota. A tramitação ocorre sob sigilo.

O diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, confirmou que a possibilidade de antecipar os recursos está em análise. A intenção é permitir que os produtores independentes reforcem os estoques e estejam preparados caso a estiagem limite o transporte de combustível na Região Norte.

A medida funciona, portanto, como uma prevenção: em vez de esperar os rios atingirem níveis que dificultem a navegação para então reagir, a proposta é garantir antecipadamente parte do combustível necessário para manter as usinas operando durante a vazante.

O planejamento também considera um período específico do calendário de 2026. A Aneel avalia os riscos que uma estiagem mais severa pode representar para o fornecimento de energia nas localidades isoladas durante as eleições. Segundo Feitosa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu informações sobre o plano de contingência preparado para essas áreas.