"Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas ainda dependemos fortemente da importação de fertilizantes", diz presidente da Potássio do Brasil
Sérgio Leite destacou a vulnerabilidade do país e afirmou que o Projeto Potássio Autazes prevê usar as hidrovias do Amazonas como eixo para escoar a futura produção de cloreto de potássio
O Brasil está entre os maiores produtores de alimentos do mundo, mas ainda depende fortemente da importação de fertilizantes para sustentar essa produção. A avaliação foi feita pelo presidente da Potássio do Brasil, Sérgio Leite, durante a EXPOSIBRAM 2026, em Belo Horizonte (MG).
O executivo participou, nesta terça-feira (25), do painel “Corredores Logísticos para a atividade mineral”, no qual apresentou a estratégia logística prevista para o Projeto Potássio Autazes, em desenvolvimento no Amazonas.
Segundo Leite, a dependência externa de fertilizantes representa uma vulnerabilidade para o país e reforça a necessidade de ampliar a produção nacional desses insumos.
“Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas ainda dependemos fortemente da importação de fertilizantes. A Potássio do Brasil e o setor mineral reconhecem a importância de reduzir essa dependência. Para avançarmos, é fundamental que a sociedade também compreenda a importância estratégica de ampliar a produção nacional de fertilizantes”, disse Sérgio Leite.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, recorde histórico, e respondeu por 48,5% de tudo o que o país vendeu ao exterior. Na safra 2025/26, o Brasil aparece como 1º produtor mundial de soja, açúcar e café, além de estar entre os maiores produtores de milho, carnes e algodão.
Dados usados pelo Ministério da Agricultura apontam que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Quando o recorte é especificamente o cloreto de potássio, justamente o produto previsto para Autazes, a dependência chega a aproximadamente 95% a 96%.
Em volume, o Brasil importou 45,48 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos em 2025, alta de 2,8% sobre 2024. Essas compras custaram US$ 15,46 bilhões, avanço de 14,1% em valor. Só os fertilizantes de origem potássica responderam por cerca de 13,8 milhões de toneladas importadas em 2025, segundo dados do Comex Stat compilados pela Conab.
A previsão da Potássio do Brasil é produzir, em plena escala, cerca de 2,4 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano. Segundo a companhia, esse volume seria suficiente para atender aproximadamente 20% da demanda atual brasileira por potássio. A produção é planejada para ser destinada ao mercado nacional.
O investimento pré-operacional estimado hoje é de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Em documento apresentado em agosto de 2026, a companhia informou já ter desembolsado cerca de US$ 295,7 milhões no desenvolvimento do projeto, incluindo exploração, estudos, aquisição de áreas e início das atividades de implantação.

Hidrovias entram no centro da logística
No desenho logístico do projeto, os rios do Amazonas terão papel central no escoamento da futura produção.
A empresa prevê utilizar o transporte hidroviário para conectar Autazes a regiões agrícolas brasileiras, aproveitando a própria configuração geográfica do estado.
A estratégia difere do modelo mais comum em outras regiões do país, onde ferrovias e rodovias costumam concentrar o transporte de produtos minerais.
“Quando falamos em logística da mineração, normalmente pensamos em ferrovias e rodovias. No Amazonas, porém, os rios cumprem esse papel e são fundamentais para o transporte", pontuou.
A Potássio do Brasil mantém parceria com a Amaggi para transporte e distribuição. A empresa estima que o tempo médio até clientes brasileiros seja de cerca de 2,5 dias, contra até 107 dias para potássio vindo de grandes fornecedores como Canadá e Rússia.
Projeto é apresentado na EXPOSIBRAM
Além da participação no painel, a Potássio do Brasil levou o Projeto Potássio Autazes para um estande montado durante a EXPOSIBRAM.
O espaço apresenta a fase atual do empreendimento, o planejamento de execução, o método de mineração, os equipamentos previstos e mais de 40 projetos e iniciativas ligados ao desenvolvimento do projeto.
A estrutura foi inspirada em Autazes e reúne referências à paisagem amazônica, aos rios e às características do município. Elementos da cultura Mura também fazem parte do espaço, com duas obras dos artistas Lino Prado Mura e Everton Mura, presenteadas à companhia: um cocar e um grafismo que representa união.
A produção local também foi incorporada à apresentação. Visitantes podem degustar queijos premiados da Fazenda D’Lourdes, da produtora de Autazes Arleane Costa Figueiredo.
O estande também exibe amostras de cloreto de potássio, mineral que a empresa prevê produzir no município.
Para Raphael Bloise, diretor de Projetos da Potássio do Brasil, a participação no evento tem atraído interesse de profissionais e representantes dos setores industrial e mineral.
“A participação na EXPOSIBRAM tem sido muito positiva. Temos recebido muitos visitantes interessados em conhecer o andamento do Projeto Potássio Autazes. Esse interesse e a oportunidade de apresentar os avanços do projeto nos trazem muita satisfação”, afirmou.

Resumo redes: [O agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025 e respondeu por 48,5% das vendas externas. O país importa 85% dos fertilizantes e até 96% do potássio. Em Autazes, o projeto prevê 2,4 mi toneladas/ano, cerca de 20% da demanda nacional, com investimento de US$ 2,5 bi; US$ 295,7 milhões já foram aplicados.]