Taxa da seca pode voltar em setembro e passar de R$ 9 mil por contêiner

Armadores já sinalizam cobrança extra a partir de 5 de setembro; Sobretaxa pode encarecer fretes, pressionar a indústria da Zona Franca e chegar ao preço dos produtos no Amazonas

Navios de carga atracados no terminal portuário do Super Terminais, em Manaus, com diversos contêineres e guindastes.
Foto: Super Terminais

A chamada taxa da seca pode voltar a pesar sobre a logística do Amazonas a partir de setembro. Empresas de navegação já comunicaram a intenção de retomar a sobretaxa durante o período de estiagem, com cobranças que podem superar R$ 9 mil por contêiner, dependendo do armador e do tipo de carga.

A previsão é de que as cobranças comecem a partir de 5 de setembro.

A taxa é aplicada para compensar custos adicionais enfrentados pelas empresas de navegação quando o nível dos rios cai. Com a redução da profundidade, embarcações podem precisar transportar menos carga por viagem, o que eleva o custo operacional das rotas que atendem Manaus.

A cobrança ganhou força em 2023, durante uma das estiagens mais severas já registradas no Amazonas. Agora, diante da perspectiva de uma nova seca intensa, o tema voltou ao centro das discussões do setor produtivo.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estabeleceu regras para a aplicação desse tipo de sobretaxa. Entre elas está a obrigação de informar os clientes com pelo menos 30 dias de antecedência.

Foto: CMA CGM

Impacto Zona Franca

O aumento do frete afeta diretamente as operações de importação e exportação com origem ou destino em Manaus.

Na Zona Franca de Manaus, o custo adicional pode atingir tanto a chegada de insumos utilizados pelas fábricas quanto o escoamento da produção. Como boa parte da movimentação de cargas do estado depende dos rios, uma elevação no preço do transporte tende a se espalhar por diferentes etapas da cadeia.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro, afirma que armadores internacionais já notificam cobranças extras próximas de US$ 2 mil por contêiner.

“Caso este ano de 2026 se consolide a estiagem que eles estão prevendo, a gente vai ter um custo adicional nos fretes, visto que os armadores internacionais já estão notificando custos extras de até muito próximo a 2 mil dólares por contêiner. E isso, qual o principal reflexo disso no preço, custo de vida do nosso estado?”

A preocupação da entidade é que o custo não fique restrito às empresas de transporte ou às indústrias.

Segundo Loureiro, o comércio terá dificuldade para absorver integralmente o aumento do frete e tende a repassar parte desse valor ao consumidor.

“Nesse período, o comércio, ele não vai ter como absorver esses custos e ele vai ter que repassar pra população. E lógico, o que muda na vida é que os salários, eles não aumentam, né? Então, o poder de compra diminui. E lógico, isso acaba tendo um grande impacto na em toda a população do estado do Amazonas”.
Bruno Loureiro, presidente da ACA | Foto: Reprodução/Internet

A ACA se posiciona contra uma retomada indiscriminada da taxa da seca.

A entidade defende que qualquer valor adicional cobrado pelas empresas de navegação tenha justificativa e leve em conta os impactos para o comércio, para a indústria e para o consumidor.

Com a possibilidade de uma nova estiagem mais severa, o setor acompanha agora os comunicados das empresas de navegação e a aplicação das regras da Antaq.