Tarifa dos EUA deve atingir menos de 0,11% da receita da Zona Franca, aponta Sedecti
Estados Unidos compram apenas 6,5% das exportações do modelo e quase metade desse volume é formada por motocicletas de competição feitas sob encomenda
As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos devem ter impacto limitado sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM). A avaliação é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), que estima que menos de 0,11% do faturamento total do modelo econômico esteja potencialmente exposto às medidas.
O cálculo parte de dois fatores. Primeiro, porque as exportações representam apenas 1,7% do faturamento da Zona Franca. Depois, porque os Estados Unidos respondem por 6,5% dessas vendas externas. Na prática, isso significa que apenas uma pequena parcela da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM) depende do mercado norte-americano.
Outro ponto destacado pela secretaria é que quase metade do que o Amazonas exporta para os Estados Unidos é formada por motocicletas de competição produzidas sob encomenda, segmento que, em princípio, não seria alcançado pelas novas tarifas. Além disso, a maior parte da produção das indústrias instaladas em Manaus continua voltada ao mercado brasileiro.
Até junho deste ano, o Amazonas exportou US$ 35,8 milhões para os Estados Unidos, que aparecem apenas como o quinto principal destino das vendas externas do estado. À frente estão Alemanha (US$ 130,4 milhões), China (US$ 69,6 milhões), Colômbia (US$ 58,8 milhões) e Argentina (US$ 52,8 milhões).
Entre os principais produtos enviados ao mercado norte-americano estão motocicletas, peças e acessórios para veículos, fibras ópticas, óleos de petróleo e minerais betuminosos, além de produtos da biodiversidade amazônica, como coco, castanha-do-brasil e castanha de caju.
Os dados da Sedecti mostram ainda que a relação comercial é muito mais vantajosa para os próprios Estados Unidos. Enquanto o Amazonas exportou US$ 35,8 milhões para o país no primeiro semestre, as empresas do Polo Industrial de Manaus importaram cerca de US$ 625 milhões em produtos norte-americanos no mesmo período, um volume aproximadamente 17 vezes maior.
Para a secretaria, esse cenário indica que os Estados Unidos mantêm um expressivo superávit comercial na relação com a Zona Franca de Manaus. Assim, mesmo com o aumento das tarifas, a tendência é que os efeitos sobre a economia amazonense permaneçam limitados.