'Taxa da pouca água' volta ao debate e comércio cobra previsibilidade para evitar novos custos

Associação Comercial do Amazonas defende mais transparência diante de uma possível estiagem em 2026

Representantes da Associação Comercial do Amazonas (ACA), da Aliança Navegação e Logística e do Grupo Chibatão em reunião,
Representantes da ACA, da Aliança Navegação e Logística e do Grupo Chibatão | Foto: Alexandra Vinente

A possibilidade de uma nova estiagem na Amazônia já colocou um tema de volta à mesa: a chamada "taxa da pouca água". Em reunião, na última sexta-feira (10), com representantes da Aliança Navegação e Logística, a Associação Comercial do Amazonas (ACA) voltou a defender mais previsibilidade para o setor e cobrou transparência sobre eventuais cobranças extras durante o período de seca.

O presidente da entidade, Bruno Loureiro, relembrou a cobrança extraordinária de US$ 2 mil por contêiner aplicada em 2025. Na época, a ACA acionou a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e conseguiu uma decisão favorável ao questionamento apresentado.

Segundo Loureiro, o setor produtivo não é contrário a cobranças que tenham justificativa técnica, mas defende que os critérios para definição dos valores sejam claros e apresentados com antecedência.

O assunto foi discutido durante encontro entre a associação comercial e a presidente da Aliança Navegação e Logística, Luiza Bublitz, que apresentou os principais desafios da navegação e da cabotagem na Amazônia, além das perspectivas para uma eventual estiagem em 2026.

Durante a reunião, a advogada Victória Cardoso informou que os procedimentos e as regulamentações relacionados ao tema seguem os mesmos adotados desde 2025. Loureiro também destacou a atuação jurídica da ACA no Tribunal Regional Federal da 3ª Região e o parecer emitido pelo Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas sobre o assunto.

Segundo, o MPF, a sobretaxa de seca só deverá ser cobrada quando houver efetiva estiagem, seguindo critérios técnicos definidos pela Antaq. Para o ciclo hidrológico 2025/2026, a cobrança só seria legítima quando o Rio Negro atingisse nível igual ou inferior a 17,7 metros.

A recomendação do órgão, publicada em abril, também dizia que as empresas deveriam informar previamente qualquer intenção de cobrança, com pelo menos 30 dias de antecedência, detalhando o fato gerador e a metodologia de cálculo. Outro ponto defendido é que os valores cobrados fossem proporcionais aos custos efetivamente gerados pela estiagem, com bases transparentes e passíveis de fiscalização.

Destaque

O encontro na última sexta-feira também relembrou a operação "Chibatão em Movimento", realizada durante a seca de 2024. Com um píer flutuante em Itacoatiara, a iniciativa movimentou mais de 14 mil contêineres, e ajudou a evitar o desabastecimento de Manaus, reduzir impactos no frete e impedir prejuízos estimados em R$ 1,4 bilhão.

Para a ACA, manter o diálogo entre o setor produtivo e as empresas de navegação será fundamental para garantir abastecimento, regularidade das operações e maior previsibilidade caso o Amazonas enfrente um novo período de estiagem.