Transire compra empresa do grupo Santander e projeta crescer 30% com foco em serviços
Com a aquisição da Mobyan, o Grupo Transire, baseado em Manaus, expande sua atuação em logística e planeja faturamento recorde para este ano
O Grupo Transire, fabricante de maquininhas de pagamento com forte atuação no Polo Industrial de Manaus (PIM), deu mais um passo em sua estratégia de expansão. A companhia oficializou nesta terça-feira (28) a aquisição de 100% da Mobyan, empresa da Getnet (Grupo Santander) especializada em logística, serviços de campo e gestão de ativos. O valor do negócio não foi divulgado, e a conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A aquisição faz parte de um plano robusto para preparar o grupo para uma futura abertura de capital (IPO), prevista para 2030. Com o movimento, a Transire deixa de ser apenas uma montadora de hardware na Zona Franca de Manaus e consolida sua atuação como uma provedora de serviços integrados.
Integração e logística
A Mobyan será incorporada à Alya, braço de logística criado pela Transire em 2025. Juntas, as duas empresas passarão a operar uma estrutura nacional robusta, composta por mais de 40 filiais próprias, cerca de 300 parceiros de serviços de campo e oito hubs regionais voltados para a triagem e o reparo de equipamentos. Essa união cria uma das maiores redes de logística especializada para meios de pagamento do país.
Segundo o CEO do Grupo Transire, Fernando Otani, a logística passa a ser um motor de crescimento.
"O movimento acelera uma estratégia que já havíamos apresentado ao mercado. A logística passa a ser uma das principais avenidas de crescimento da companhia e nos permite oferecer um ecossistema completo aos nossos clientes", ressalta o executivo.
Com a integração das operações, a divisão formada por Alya e Mobyan deve superar mil funcionários até o fim deste ano. No total, considerando todas as empresas do grupo, a expectativa é que o quadro de colaboradores se aproxime de 4 mil pessoas.
Tecnologia e inteligência artificial
A Transire, que detém cerca de 75% de participação no mercado de fabricação de terminais de pagamento no Brasil e já produziu mais de 50 milhões de equipamentos, aposta na tecnologia para diferenciar seus serviços. O grupo planeja usar inteligência artificial (IA) para otimizar a gestão das maquininhas.
Os terminais geram dados de telemetria em tempo real. Com a nova estrutura logística, essas informações serão usadas para prever falhas, organizar a logística reversa e diminuir o tempo em que as máquinas ficam fora de operação.
"A IA nos permite antecipar necessidades, direcionar atendimentos e otimizar deslocamentos. O cliente reduz custos e ganha eficiência operacional", destaca Otani.
Para o CEO da Alya, Marcio Silva, a descentralização do atendimento é o grande diferencial do novo modelo.
"A descentralização da operação reduz distâncias e acelera toda a cadeia logística. Com a experiência da Mobyan e nossa estrutura regional, conseguimos oferecer um nível de serviço muito superior", diz.
Crescimento e internacionalização
Em 2025, o Grupo Transire registrou um faturamento de R$ 2 bilhões. Para 2026, a projeção do CEO é alcançar um crescimento de 30% na receita, impulsionado principalmente pela nova divisão de serviços e pela incorporação da Mobyan.
"A principal alavanca de crescimento passa pela operação de serviços. Essa aquisição acelera nossa capacidade de crescer dentro da base de clientes que já atendemos", pontua Otani.
Mesmo com a popularização do Pix, o executivo reforça que as maquininhas continuam essenciais para o varejo, funcionando como centralizadores da jornada de compra. "O Pix não eliminou as maquininhas. Pelo contrário. Hoje, muitos pagamentos via Pix são feitos justamente nesses dispositivos, que passaram a concentrar toda a jornada do cliente", explica.
Além do mercado interno, a Transire inicia no segundo semestre deste ano sua expansão internacional, com a abertura de escritórios e centros de serviços no México, Portugal, Hungria e Chile.
"Já estamos celebrando os primeiros contratos internacionais. Ainda não é uma parte relevante da receita deste ano, mas será uma construção importante de 2027 em diante até o nosso sonho do IPO em 2030", projeta o CEO.