Zona Franca volta à cena: candidato ao governo de Pernambuco, João Campos diz que incentivos do modelo podem “desequilibrar” competição e aposta em revisão da Reforma Tributária

Em sabatina no Recife, candidato defendeu que o Nordeste se prepare para discutir os efeitos da manutenção das vantagens tributárias do modelo de Manaus

João Campos fala ao microfone durante sabatina da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife.
João Campos (PSB) | Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

Candidato pelo PSB ao governo de Pernambuco, João Campos afirmou nesta quinta-feira (17) que os incentivos preservados para o modelo Zona Franca de Manaus na Reforma Tributária podem criar um desequilíbrio competitivo em relação a outras regiões do país e avaliou que as regras ainda podem ser revistas no futuro.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife e publicada pela Folha de Pernambuco.

“A Zona Franca de Manaus vai mexer com a maioria do Brasil, de forma que vai desequilibrar a competição com quase todo o país. Então, há uma chance, acredito, de revisão disso. E o Nordeste vai ter de se posicionar nesse momento de revisão”.

O candidato afirmou que, caso chegue ao governo pernambucano, pretende criar uma secretaria executiva voltada especificamente para acompanhar a transição tributária. A estrutura, segundo ele, serviria para preparar Pernambuco para as mudanças e para uma eventual rediscussão das regras que afetam a competitividade entre os estados.

A Reforma Tributária substitui gradualmente tributos atuais pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Entre 2029 e 2032, haverá redução progressiva do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e de benefícios vinculados ao tributo; em 2033, o novo sistema entra integralmente em vigor.

Zona Franca recebeu proteção específica

No caso de Manaus, a Emenda Constitucional nº 132, que instituiu a Reforma Tributária, determinou expressamente que a nova legislação deve criar mecanismos capazes de preservar o diferencial competitivo da Zona Franca. A proteção não significa que o modelo ficará fora do novo sistema, mas que IBS, CBS e outros instrumentos precisam ser estruturados de maneira a manter sua vantagem em relação à produção realizada fora da área incentivada.

Um dos mecanismos está no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A partir de 2027, a alíquota será zerada para a maior parte dos produtos no país, mas continuará incidindo sobre determinados bens que também tenham produção incentivada na Zona Franca de Manaus. A regra busca impedir que a retirada generalizada do imposto elimine parte da diferença tributária que sustenta a competitividade das fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus.

A legislação complementar também estabeleceu tratamentos próprios no IBS e na CBS para operações relacionadas à Zona Franca, incluindo hipóteses de redução ou suspensão dos novos tributos e concessão de créditos presumidos. A própria Constituição determina que esses mecanismos mantenham, em caráter geral, o diferencial competitivo do modelo amazonense.

A fala de João Campos coloca essa diferenciação no centro de uma discussão regional. Para o candidato, enquanto incentivos de outros estados perdem espaço ao longo da transição, a preservação da Zona Franca pode levar governos do Nordeste a pressionarem por uma nova discussão sobre o desenho da reforma. Até o momento, a afirmação representa uma avaliação e uma proposta política de Campos; as regras constitucionais de proteção ao modelo de Manaus permanecem vigentes.

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Resumo redes: Durante sabatina da CDL do Recife, Campos afirmou que o Nordeste terá de se posicionar diante das mudanças no sistema tributário e prometeu criar uma secretaria executiva específica para acompanhar a transição em Pernambuco.