Amazonas emplaca Bemol, Nova Era e Grupo Tapajós entre as 300 maiores varejistas do Brasil. Trio soma R$ 8,3 bilhões em vendas
As três empresas com sede no estado operam 215 lojas, empregam 11.011 pessoas e deixam o Amazonas apenas R$ 103 milhões atrás do Pará no recorte regional do Ranking IRTT 2026
O Amazonas tem três representantes entre as 300 maiores varejistas do Brasil, e elas dificilmente poderiam ser mais diferentes entre si. De um lado está a Bemol, que cresceu vendendo móveis e eletroeletrônicos e hoje já mistura varejo, farmácia e serviços financeiros. Do outro, o Super Nova Era, que ganhou escala no supermercado e no atacarejo. Fechando o trio aparece o Grupo Tapajós, dono de bandeiras que fazem parte do dia a dia das farmácias de Manaus: Santo Remédio, FlexFarma e FarmaBem.
Juntas, Bemol, Super Nova Era e Grupo Tapajós movimentaram R$ 8,277 bilhões em vendas em 2025, segundo o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, do Instituto Retail Think Tank (IRTT). As três também somam 215 lojas e 11.011 funcionários. O tamanho da operação fica mais claro quando se olha para o ranking inteiro: as 300 maiores varejistas do país chegaram a R$ 1,3 trilhão em vendas no ano.
A Bemol é a amazonense mais bem colocada, ocupando a 58ª posição nacional, com R$ 4,335 bilhões em vendas, 8% acima dos R$ 3,996 bilhões de 2024. O IRTT contabiliza 80 lojas e 4,1 mil funcionários, com presença física em Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Mesmo sendo classificada no ranking como uma empresa de eletromóveis, a Bemol de hoje já está longe de caber apenas nessa definição. O ranking também leva em conta a Bemol Farma.
Tem uma distinção importante aqui: O IRTT está medindo vendas do varejo, e não necessariamente o faturamento consolidado de cada grupo econômico. É justamente por isso que alguns números divulgados pelas próprias companhias podem ser maiores que os registrados no levantamento. No caso da Bemol, por exemplo, o ranking computa R$ 4,335 bilhões em vendas, enquanto a companhia declara faturamento total acima de R$ 5 bilhões em 2025.
A história ajuda a entender essa transformação. A empresa nasceu em Manaus em 1942 como negócio de representação e deu uma guinada no varejo nos anos 1960 depois de apostar nas máquinas de costura japonesas New Yorker, mais baratas que as Singer. O crediário nasceu junto com essa expansão e, décadas depois, virou uma operação financeira que já reúne 760 mil contas ativas e carteira de crédito de R$ 2 bilhões. O digital também ganhou peso: atualmente, 17% das vendas da Bemol vêm do e-commerce.
Mas quem realmente disparou dentro do ranking foi o Super Nova Era. A empresa saiu da 101ª posição (em 2024) para a 75ª (em 2025), com vendas que passaram de R$ 2,415 bilhões para R$ 3,255 bilhões. É uma alta de 35% em um ano. Ao mesmo tempo, o número de lojas considerado pelo IRTT saltou de 25 para 39, e o quadro de funcionários cresceu 27%, de 3.908 para 4.974 pessoas.
O avanço não foi grande apenas quando comparado às outras duas amazonenses. Na lista do IRTT das empresas que mais aumentaram as vendas em 2025, o Super Nova Era aparece em quinto lugar no Brasil. Nenhuma outra varejista com sede no Norte cresceu mais no período.
E o Nova Era também tem uma trajetória de estrada até chegar a esse tamanho. O negócio foi fundado pelo paulista Luiz Gastaldi Junior em Ji-Paraná (RO), em 1981, passou por Porto Velho e transferiu a matriz para Manaus em 1998. A entrada no varejo de autosserviço veio depois, e o grupo foi abrindo outras frentes ao longo dos anos. Em 2026, quando completa 45 anos, a expansão continua: estão previstas novas lojas Super Nova Era em Manacapuru e Itacoatiara, levando a bandeira para dois dos principais mercados amazonense fora da capital.

Tapajós tem a maior rede física do trio
Se Bemol lidera em vendas e Nova Era em número de funcionários, o Grupo Tapajós é quem aparece com mais lojas no levantamento. São 96 unidades, contra 80 da Bemol e 39 do Nova Era. O grupo ocupa a 267ª posição nacional, com R$ 687 milhões em vendas, 18% acima dos R$ 582 milhões do ano anterior, e mantém 1.937 funcionários. No varejo, o IRTT registra presença física no Amazonas e em Roraima.
As 96 lojas são distribuídas pelas bandeiras Santo Remédio, FlexFarma e FarmaBem consideradas pelo ranking. A Santo Remédio começou a operar em 2007, enquanto a FlexFarma foi criada em 2011. Para além das farmácias, existe uma estrutura que não aparece inteira quando se olha apenas para as vendas varejistas: o Grupo Tapajós também trabalha com distribuição e mantém centros de distribuição em Manaus, Porto Velho, Guajará-Mirim, Boa Vista, Belém e Santarém, atendendo 1.600 clientes cadastrados e positivados, segundo a própria companhia.
Trio amazonense fica a R$ 103 milhões das varejistas paraenses do ranking
Quando as empresas são agrupadas pelo estado onde estão sediadas, o Amazonas chega muito perto da liderança do Norte. As três amazonenses somam R$ 8,277 bilhões. No Pará, Líder Supermercados, Formosa Supermercados e Grupo Preço Baixo alcançam juntos R$ 8,380 bilhões. A distância entre os dois estados fica em apenas R$ 103 milhões.
A maior varejista individual desse recorte regional ainda é paraense: a Líder Supermercados, 51ª colocada, com R$ 5,449 bilhões. Logo depois vem a Bemol, na 58ª posição. O que aproxima os dois estados é justamente a força das outras redes: o crescimento do Nova Era e a presença do Tapajós reduzem a diferença quando a comparação deixa de olhar uma única empresa e passa a considerar o conjunto das companhias locais presentes no Top 300.
Apenas relembrando: as informações do ranking IRTT de 2026 trazem dados de 2025.
Resumo redes: As três empresas com sede no estado operam 215 lojas, empregam 11.011 pessoas e deixam o Amazonas apenas R$ 103 milhões atrás do Pará no recorte regional do Ranking IRTT 2026.