Amazônia precisa de “choque de infraestrutura”, diz conselheiro da MBRF ao citar déficit em transporte, energia, internet e saneamento

Roberto Waack também defende remuneração por serviços ambientais feitos na Amazônia que ajudam a regular o clima e as chuvas no país

Roberto Waack, conselheiro da MBRF, fala ao microfone do Estadão durante evento, gesticulando com a mão esquerda
Roberto Waack | Foto: Felipe Rau/Estadão

A discussão sobre o futuro da Amazônia precisa olhar mais para o que ainda falta no básico. Para Roberto Waack, conselheiro da MBRF e presidente do conselho do Instituto Arapyaú, a região precisa de um “choque de infraestrutura” que alcance áreas como transporte, energia, acesso à internet e saneamento.

A avaliação foi feita nesta quarta-feira (19), durante o quarto encontro do Brasil Adiante, promovido pelo Estadão. Waack defendeu que a infraestrutura ocupe uma posição central nas discussões sobre desenvolvimento da Amazônia.

“Quando a gente discute Amazônia, o ponto central deveria ser infraestrutura. Precisamos despolarizar essa discussão”, afirmou.

Waack é biólogo e tem uma trajetória ligada às áreas de sustentabilidade e florestas. Além de integrar o conselho da MBRF (gigante brasileira do setor de alimentos formada pela união entre Marfrig e BRF e dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy), ele preside o conselho do Instituto Arapyaú, organização que atua em iniciativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável.

Infraestrutura não é o único problema

Na avaliação de Waack, melhorar a estrutura disponível na Amazônia precisa caminhar junto com uma organização maior do território. Ele também chamou atenção para a questão fundiária e para a presença do crime organizado na região.

“São 17 facções operando na Amazônia. A criminalidade assumiu o papel do Estado em várias frentes”, disse.

A fala coloca a presença do poder público como parte do mesmo desafio. Além de investimentos em serviços e infraestrutura, Waack defende a necessidade de organizar os territórios para evitar que atividades criminosas ocupem espaços onde o Estado tem pouca presença.

Amazônia presta serviços ao restante do país

Outro ponto levantado foi o valor dos chamados serviços ecossistêmicos. Em termos simples, são benefícios que a natureza oferece e que têm impacto direto na economia e na vida das pessoas, como a regulação das chuvas e do clima.

Waack defendeu que esses serviços não sejam apenas reconhecidos, mas também remunerados. A Amazônia, por exemplo, influencia o regime de chuvas em outras partes do Brasil por meio dos chamados “rios voadores”, correntes de umidade que transportam grandes volumes de água da floresta para outras regiões.

Esse fenômeno tem impacto especialmente sobre áreas agrícolas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Pedro de Camargo Neto, que também participou da discussão, concordou com a necessidade de remuneração desses serviços e afirmou que o produtor rural está entre os maiores interessados em sua preservação.