Hapag-Lloyd anuncia taxa de US$ 1.350 por contêiner em Manaus por risco de seca severa
Cobrança é US$ 350 superior ao que foi aplicado em 2025, e começa a valer em 12 de setembro
Quem depende de contêiner para mandar ou receber cargas por Manaus já tem mais um custo para colocar na conta durante a estiagem. A Hapag-Lloyd anunciou uma sobretaxa de US$ 1.350 por contêiner para operações com origem ou destino na capital amazonense.
A chamada Low Water Surcharge (LWS), ou sobretaxa de baixo nível de água, começa a valer em 12 de setembro de 2026 e será aplicada a todos os tipos de contêineres com data de tarifação a partir desse dia. A medida atinge tanto importações quanto exportações pela rota amazônica.
A cobrança foi divulgada pelo Container News nesta quinta-feira (13) e ocorre diante da expectativa de uma estação seca severa na Amazônia Ocidental.
A justificativa está no que acontece todos os anos quando os rios começam a baixar. Com menos água, os navios passam a enfrentar restrições de calado, a profundidade necessária para navegar com segurança, e podem precisar reduzir a quantidade de carga transportada.
Segundo a Hapag-Lloyd, a sobretaxa busca justamente cobrir os custos adicionais e os desafios operacionais provocados por essas condições durante a estiagem.
US$ 350 a mais que em 2025
O valor deste ano chama atenção também quando colocado lado a lado com a última estiagem.
Em julho de 2025, conforme registro do Portal Portuario, a própria Hapag-Lloyd havia estabelecido uma LWS de US$ 1.000 por TEU para Manaus.
Agora, a cobrança anunciada chega a US$ 1.350 por contêiner, uma diferença nominal de US$ 350 em relação ao valor aplicado no ciclo anterior.
A armadora informou que continuará acompanhando os níveis do Rio Amazonas durante o avanço da estação seca. Caso as condições hidrológicas mudem e o período crítico seja adiado, a empresa poderá alterar a data de início da cobrança, com um novo comunicado previsto com 30 dias de antecedência.
E a Hapag-Lloyd não está sozinha
O anúncio coloca a Hapag-Lloyd ao lado de outra gigante do transporte marítimo que já decidiu cobrar adicional para movimentar cargas por Manaus durante a seca.
A CMA CGM anunciou em 10 de agosto uma sobretaxa de US$ 753 por TEU, com vigência a partir de 6 de setembro de 2026.
Embora as duas cobranças estejam relacionadas ao mesmo problema — a redução do nível dos rios e seus efeitos sobre a capacidade operacional das embarcações —, cada companhia estabelece sua própria estrutura e seus próprios valores.
No caso da Hapag-Lloyd, a cobrança começa seis dias depois e chega a US$ 1.350 por contêiner.
A MSC, por sua vez, comunicou sobretaxa de US$ 1,4 mil para contêineres de carga seca e US$ 1,9 mil para refrigerados, com aplicação prevista também a partir de setembro.
Já a Maersk havia comunicado cobrança de US$ 1.228 por contêiner de 20 ou 40 pés relacionada à estiagem deste ano.
Por que cobrar antes de o rio chegar ao período mais crítico?
A decisão ocorre em meio aos alertas para a próxima estiagem. Em 14 de julho, a Autoridade Fluvial da Amazônia Ocidental apontou probabilidade elevada de condições severas de seca na segunda metade de setembro.
É justamente nesse período que as limitações à navegação podem começar a pesar mais sobre a logística.
Para o Polo Industrial de Manaus (PIM), a situação merece atenção dos dois lados da cadeia. As fábricas dependem da chegada de componentes, matérias-primas e outros insumos e, ao mesmo tempo, precisam escoar os produtos fabricados em Manaus para outros mercados.
Quando o nível da água cai e os navios não conseguem operar com a mesma capacidade, transportar cada contêiner pode ficar mais caro.
E quem paga essa conta?
Na prática, a sobretaxa adiciona um novo custo às operações de empresas que utilizam a Hapag-Lloyd para transportar cargas com origem ou destino em Manaus.
A forma como esse valor será absorvido dependerá dos contratos e das negociações entre embarcadores, importadores, exportadores e demais empresas envolvidas na operação logística. Em alguns casos, o custo pode ficar com a própria empresa; em outros, pode acabar distribuído ao longo da cadeia.
Por isso, 12 de setembro passa a ser uma data importante no calendário de quem movimenta cargas por Manaus.
A própria Hapag-Lloyd, porém, deixou uma porta aberta: a data ainda poderá mudar dependendo do comportamento dos rios. Até lá, a armadora continuará monitorando o nível das águas para definir se mantém o início da cobrança conforme anunciado.