Indústria articula projetos com UEA e Ufam para proteger o PIM de eventos climáticos extremos
Projetos PIM CLIMATE e I.RIVERS prometem reforçar o monitoramento de secas, enchentes e da navegabilidade dos rios para reduzir impactos na indústria
A ameaça de novas secas extremas no Amazonas acendeu o alerta no Polo Industrial de Manaus (PIM). Para tentar blindar as fábricas contra os gargalos logísticos provocados pela estiagem, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) realizou, nesta quarta-feira (29), sua 366ª Reunião Ordinária de Diretoria. O encontro marcou a aproximação estratégica entre o setor produtivo e cientistas das universidades públicas do estado para monitorar o nível dos rios e prever crises climáticas.
A reunião, conduzida pelo presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, debateu como a ciência pode ajudar a mitigar os impactos das variações do Rio Amazonas sobre o transporte de insumos e o escoamento de produtos acabados. Segundo a entidade, a cooperação busca dar previsibilidade à rotina do PIM, que depende diretamente das hidrovias regionais.
Previsão e navegabilidade
Durante o evento, os pesquisadores da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Dr. Francis Wagner Silva Correia e Dra. Fabiana Lucena Oliveira, apresentaram o projeto PIM CLIMATE. Desenvolvido pelo Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), o sistema é voltado especificamente para prever e monitorar secas e enchentes, servindo de suporte operacional para as indústrias locais.
Pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o Dr. Naziano Pantoja Filizola Junior detalhou o Projeto I.RIVERS. A iniciativa foca no monitoramento hidrológico para avaliar as condições de navegabilidade dos rios amazônicos. O acompanhamento é considerado vital para evitar que as balsas com insumos fiquem encalhadas durante a descida das águas.
Água e logística de suprimentos
Além dos projetos acadêmicos, a reunião discutiu medidas práticas imediatas para enfrentar o período de estiagem. O diretor-presidente da concessionária Águas de Manaus, Pedro Freitas, apresentou o Plano de Estiagem elaborado para garantir o abastecimento de água na capital amazonense durante a seca.
O debate logístico também contou com a participação da ZF Log Operações e Logística Ltda, nova associada do Cieam. Os sócios-diretores Franco Fernando Dauer e José Antônio Valduga apresentaram soluções para os desafios da cadeia de suprimentos no Amazonas, que costuma sofrer com o encarecimento do frete e atrasos nas entregas quando os rios baixam.
Prioridade estrutural
Para Lúcio Flávio Morais, integrar a ciência ao dia a dia das fábricas é um passo decisivo para proteger a economia do estado. O presidente destacou que o planejamento é a única saída para manter o polo competitivo diante do clima extremo:
"A indústria do Amazonas vive um momento em que a previsibilidade e o planejamento estratégico são vitais para a sustentabilidade e a competitividade do nosso Polo. Diante das severas oscilações climáticas que afetam diretamente o ecossistema e a logística do Rio Amazonas, integrar a expertise científica das nossas universidades públicas com a rotina operacional do PIM não é apenas uma necessidade pontual, mas uma prioridade estrutural para garantirmos o abastecimento, a navegação e a preservação do emprego no nosso Estado", disse.