Manaus está mais preparada para evitar desabastecimento em nova seca, diz vice-governador

Serafim Corrêa afirma que adaptações feitas pelos portos após as estiagens anteriores criaram alternativas para manter cargas chegando à capital mesmo em um cenário severo

Vista aérea de navios e barcaças navegando em um rio largo, com a cidade de Manaus ao fundo e a Ponte Rio Negro visível
Foto: Reprodução/Internet

Uma nova seca severa ainda é uma possibilidade, não uma certeza. Mas, se ela vier, Manaus não deve ser pega nas mesmas condições de 2023. É o que afirma o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, ao avaliar a estrutura logística montada nos últimos anos para enfrentar a redução do nível dos rios.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (14), durante a 324ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS), em Manaus.

Serafim afirmou que acompanha diariamente o comportamento dos rios e citou que o Rio Negro chegou à cota de 26,36 metros, após subir oito centímetros de um dia para o outro.

Até agora, segundo ele, as projeções científicas não apontam para uma estiagem tão severa quanto as enfrentadas recentemente pela Amazônia.

“A expectativa que se tem dos cientistas é de que nós não teremos uma seca tão severa. Agora, se ela acontecer, as empresas estão preparadas, com adaptação logística”.

2023 deixou a lição; 2024 colocou a estrutura à prova

Na seca de 2023, a queda histórica dos rios pegou a logística amazonense em uma situação bem mais vulnerável. A redução da profundidade dificultou a navegação, pressionou o transporte de cargas e trouxe preocupação com o abastecimento de Manaus.

Serafim reconheceu que o Estado foi surpreendido naquele momento: “Em 2023, nós fomos pegos de surpresa, sofremos com desabastecimento”.

No ano seguinte, porém, a situação mudou.

O vice-governador destacou os investimentos feitos pelos portos Super Terminais e Chibatão e lembrou a utilização de estruturas em Itacoatiara como alternativa para manter o fluxo de mercadorias quando as condições de navegação ficaram mais difíceis em Manaus.

“Em 2024, não. Em decorrência da ação dos portos, Super Terminais e Chibatão, que fizeram investimentos muito grandes e deslocaram essas estruturas de Manaus para Itacoatiara, não permitiram que Manaus parasse”.

Na prática, a experiência das duas estiagens criou uma espécie de plano já testado para situações em que os navios enfrentam limitações para chegar diretamente à capital.

Isso não elimina os impactos de uma eventual seca severa. A redução do nível dos rios continua podendo limitar calado, capacidade de carga e operações logísticas. A avaliação apresentada por Serafim é de que hoje existem mais alternativas para reagir ao problema.

“Estaremos preparados”

A preocupação com a próxima vazante ocorre enquanto órgãos públicos e empresas de navegação já acompanham o comportamento dos rios e as projeções para os próximos meses.

Para Serafim, o aprendizado acumulado desde 2023 mudou a capacidade de resposta do Amazonas.

“Quero tranquilizar a todos: se acontecer uma seca severa, estaremos preparados”.