Reforma Tributária já começou, mas 1 em cada 4 empresas ainda desconhece os impactos das novas regras

Levantamento mostra que apenas 28,1% das companhias tinham um plano estruturado de adaptação

Mãos de uma pessoa em terno digitando em uma calculadora, enquanto a outra mão escreve em um caderno, sobre uma mesa
Foto: Reprodução/Internet

A Reforma Tributária já saiu do papel, mas uma parcela das empresas brasileiras ainda tenta entender o que vai mudar na própria operação. Cerca de 24% desconhecem os impactos das novas regras, enquanto somente 28,1% tinham um plano estruturado para se adaptar ao novo sistema.

Os dados fazem parte de um levantamento da empresa de tecnologia V360, divulgado pela Agência Brasil. A pesquisa foi realizada em novembro de 2025 com 355 companhias de médio e grande porte dos setores de indústria, varejo, construção civil, agronegócio e tecnologia. Do total, 68,2% estavam localizadas no Sudeste.

Diferentes níveis de preparação

Enquanto 33,2% das empresas ainda não haviam discutido internamente os efeitos da reforma, 38,6% tinham começado apenas um levantamento preliminar. Na prática, portanto, mais de sete em cada dez ainda não possuíam um plano estruturado naquele momento.

A dificuldade começou a aparecer também nas notas fiscais. Em maio de 2026, 45% dos documentos emitidos no país ainda estavam fora das novas exigências. Os outros 55%, correspondentes a aproximadamente 12,5 milhões de empresas, já traziam corretamente as informações sobre os novos tributos.

Serviços concentram maior atraso

Em maio, apenas 3,78% das notas fiscais desse segmento estavam adequadas ao novo padrão.

Parte do problema está na adaptação dos sistemas municipais. Como o Imposto Sobre Serviços (ISS) é administrado pelas prefeituras, diferentes municípios ainda enfrentavam dificuldades para adequar a emissão das notas fiscais eletrônicas às mudanças trazidas pela reforma. Nas operações envolvendo produtos, cuja tributação passa pelos estados, a adesão estava mais adiantada.

Para as próprias empresas, a mudança também vai muito além de trocar a identificação de um imposto por outro. As notas passam a incorporar cerca de 200 novos campos, exigindo alterações nos sistemas usados para emitir, receber e conferir documentos fiscais.

E existe uma etapa que pode acabar ficando para trás. Muitas companhias concentraram a preparação na emissão das próprias notas, mas não no chamado ingresso fiscal, processo de receber e conferir os documentos enviados pelos fornecedores antes de realizar os pagamentos. Isso exige ajustes internos que envolvem áreas fiscais, financeiras e sistemas de gestão.

O que muda com a reforma?

A reforma aprovada em 2023 e regulamentada em 2025 substitui gradualmente PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos sobre o consumo. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) fica na esfera federal, enquanto o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) será administrado por estados e municípios.

A transição começou em janeiro de 2026, inicialmente com alíquotas de teste de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, e seguirá em etapas até 2033. O próximo ano será particularmente importante para as empresas, com novas mudanças no sistema e o início das penalidades para quem não cumprir as exigências.

Até lá, o governo adotou um período de adaptação sem multas. Isso não significa, porém, que todas as empresas estejam sujeitas às mesmas obrigações: micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional e microempreendedores individuais (MEIs) estavam dispensados das exigências naquele momento.

Para as demais companhias, a preparação envolve mudanças que podem levar meses, desde a atualização de sistemas fiscais até treinamento de funcionários e revisão de processos e contratos. Com boa parte das empresas ainda nos estágios iniciais de adaptação, 2026 se torna o principal período para colocar essas mudanças em prática antes que as penalidades comecem a ser aplicadas.