ZFM vai até 2073. O desafio agora é depender menos dos incentivos, diz secretário

Gustavo Igrejas defende que as próximas décadas sejam usadas para diversificar a economia, aproximar indústria, tecnologia e biodiversidade e tornar o modelo menos dependente dos benefícios fiscais

Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, durante
Foto: Secom/AM

A Zona Franca de Manaus (ZFM) tem seus incentivos garantidos constitucionalmente até 2073. São mais 47 anos pela frente, mas, para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, o Amazonas precisa aproveitar esse tempo para preparar uma economia que dependa cada vez menos desses benefícios.

A avaliação foi feita nesta quinta-feira (13), durante encontro promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) com empresários, investidores e representantes do setor produtivo que estão em Manaus para conhecer o modelo Zona Franca.

“A Zona Franca está garantida até 2073 e eu gostaria muito que até lá a gente tivesse cada vez menos dependência dos incentivos fiscais. E o nosso diferencial é a utilização da biodiversidade mais rica do planeta”, afirmou Igrejas.

A ideia defendida pelo secretário não é abandonar os incentivos que sustentam a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM), mas aproveitar as próximas décadas para desenvolver outras vantagens capazes de fortalecer a economia amazonense.

Entre os caminhos apresentados estão a biodiversidade, pesquisa e desenvolvimento, agroindústria, logística, desenvolvimento de novos produtos e maior integração entre conhecimento científico e a indústria já instalada no Estado.

Da biodiversidade para a indústria

É justamente na biodiversidade amazônica que Igrejas enxerga uma das principais oportunidades para esse próximo passo.

A proposta apresentada durante o encontro passa por transformar recursos e conhecimento da região em produtos e insumos com maior valor agregado, aproximando pesquisa, tecnologia e indústria.

Nesse cenário, o PIM continuaria sendo uma importante base industrial, mas poderia incorporar cada vez mais produtos desenvolvidos localmente e tecnologias relacionadas às características da Amazônia.

“O ideal seria que um dia, ainda que distante, conseguíssemos que o PIM fosse uma forte base industrial mundial, com desenvolvimento de produtos locais e com uma infraestrutura que permitisse que o mesmo se tornasse um centro exportador de produtos e tecnologias”, ressaltou o secretário.

Igrejas também fez um panorama das transformações da Zona Franca desde sua criação e defendeu que a discussão sobre o modelo deixe de lado antigos estigmas.

Entre as características atuais do modelo destacadas pelo secretário estão a produção verticalizada, a formação de mão de obra especializada, o surgimento de clusters industriais e a contribuição da atividade econômica para o desenvolvimento urbano e a preservação da floresta.

Ao mesmo tempo, a dependência tecnológica e a forte concentração das vendas no mercado interno ainda aparecem entre os desafios que precisam ser enfrentados.

PIM continua no centro da estratégia

A discussão sobre diversificação acontece sem tirar o atual parque industrial do centro da estratégia econômica do Amazonas.

Durante o encontro, a Fieam apresentou a Zona Franca como uma plataforma para atração de novos investimentos. O presidente da entidade, Antonio Silva, destacou que os incentivos continuam sendo um dos principais instrumentos para trazer empresas ao PIM, especialmente os benefícios estaduais relacionados ao ICMS e os incentivos federais administrados no âmbito da Suframa.

“O grande atrativo mesmo é o imposto ICMS, é o do governo do Estado do Amazonas”, disse.

Silva também disse que o setor industrial pretende disputar novos investimentos interessados em instalar operações no Estado.

“Nós não vamos perder nenhuma implantação de nenhuma fábrica que queira se instalar aqui no nosso Polo Industrial de Manaus”, declarou.

Os números apresentados no encontro ajudam a dimensionar o tamanho dessa estrutura. Segundo os dados utilizados por Igrejas, o PIM registrou faturamento de US$ 19,3 bilhões entre janeiro e maio de 2026. A média anual de mão de obra chegou a 132.075 trabalhadores em 2025.

Para o secretário, o volume de empregos chama atenção principalmente diante do nível crescente de automação dentro das fábricas.

“Esse número que nós temos hoje, 132 mil pessoas, é extremamente relevante, dado ao grau de automação que existe nas empresas”, avaliou.

Assim, o caminho apresentado para as próximas décadas combina duas frentes: preservar a força industrial construída a partir da Zona Franca e, paralelamente, desenvolver novas atividades capazes de dar ao Amazonas outras vantagens competitivas.